Em dezembro completei 40 anos, o engraçado é como passa relativamente rápido, afinal lembro dos aniversários equivalentes tanto do meu pai quanto da minha mãe. Tiramos umas férias, fomos a Pernambuco e chegamos só no dia dois do novo ano.
Logo pela manhã de segunda feira fui ligar o meu R/T, que não pegou, deve ser ressaca. Peguei uma garrafa de Coca Cola e fui ao posto, comprar gasolina para colocar diretamente no carburador. Isto feito, o carro pegou e levei para o Mário dar uma conferida nas velas, dfv, ... Enfim, carbonização nas velas. Já limpas, carro montado, tudo voltou ao normal. Nas fotos, o carro no estacionamento do Snooker do sócio do Mário. Isso mesmo, a oficina fica em frente a um salão de Snooker.
Em seguida foi a Belina. O Mário trocou os rolamentos dianteiros e umas buchas de suspensão. E o carro ficou até gostoso de andar, com seu jogo de P400 zero, adquirido na semana retrasada. Um amigo leitor indicou um vendedor no Mercado Livre e comprei a placa GL que falta na traseira. O zelador do prédio se interessou pelo carro, mas torceu o nariz quando pedi dez mil Reais. Em fevereiro vou fazer uns ajustes nela, trocar lâminas de parachoque, acertar uns detalhes.... A venda vai ficando cada vez mais difícil.
Quem tem filho sabe a quantidade de coisas que acumulamos, o que já tornava o apartamento inabitável. Brinquedos, roupas, mais brinquedos... Resultado: eu e minha mulher ficamos até as 11 horas da noite separando coisas para doar (as em bom estado) e para reciclar (brinquedos destruídos).
O resultado foi uma Belina lotada de coisas para doação.
Achei uma excelente utilidade para o carro! Depois de esvaziar o meu apartamento, fui até a casa dos meus pais e esvaziei o quartinho dos fundos. Um arquivo de aço cheio de materiais do meu curso de engenharia na Poli, primeira metade dos anos noventa. Foi um grande ato de desapego, guardava cada apostila, cada nota de aula. Nunca abri nada em quinze anos, já que optei por virar bancário.
Joguei inclusive o arquivo de aço fora, com seus trinta anos e muita ferrugem. Aproveitei para organizar meu estoque de peças de Dodge e já levar algumas para a oficina, já que o carro está quase pronto para montagem. Separei também todos os frisos ainda não restaurados (dos vidros, caixas de rodas, de ar, etc...) e levamos ao Juruna, de Accord, já que a Belina não seria adequada para levar o Enzo, filho do meu amigo Carlão. Não tem assento infantil.
No final das contas fiz uma bela limpeza, tanto na minha casa como na dos meus pais. E o mecânico ainda ganhou uma Caloi 10 ano 1982 do meu pai, já que ele se aposentou do ciclismo. Joguei um tanque de plástico, utilizado para guardar gasolina nos tempos de crise do petróleo. Estava muito velho. Outro achado (guardei) foi uma garrafa de soda Antárctica, daquelas antigas.
No final de tudo, meu pai me diz que iria jogar um pacote de papéis velhos. Não deixei, pedi para olhar antes.
Achei coisas interessantes, tudo do ano de 1971 e 1972. Contracheques da Ford, material de imposto de renda, a nota fiscal do Corcel coupé 1971 vermelho, e o mais bizarro: o recibo do meu parto !!!!!
Um dos recibos de salário. Dei um para o Carlão, e segundo ele, já está no porta luvas do seu lindo 500 1967.
Isso mesmo! A nota de serviços do hospital de Dourado. Nunca soube da existência destas coisas! Só não tem o número de chassi!!!! Guardei tudo. Abaixo, o recibo do médico. Foi o médico da família até o final de sua estadia em Dourado. Dr Benetti, saudades dele.
Ontem jantei com o Badolato, Carlão e Pier, e levei essas tralhas para todos verem, e a nota do parto virou motivo de piada! Todo o pacote era para a declaração do IR de meu pai.
Acabei achando um postal também, com o endereço do meu pai. Na Ford.
E, finalmente, a nota do Corcel:
No final, tudo ficou bem mais organizado. E mais leve!
Abraços a todos os amigos, um excelente 2012 para todos nós!
No próximo Post, a funilaria do Magnum 79. Tomei coragem....
Vital
Mostrando postagens com marcador Dourado SP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dourado SP. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
domingo, 27 de março de 2011
Alfa Romeo 2300 1975
Houve um tempo que, se estivéssemos em férias, com certeza estaríamos em Dourado. Foi uma época muito boa. Passávamos 3 meses, desde o início de dezembro até o começo de março. Começavam as férias, entrávamos no carro e lá ia a família para o interior, 300 km de estrada. Anhanguera, Washington Luiz e uma estrada de 50km até Dourado. Lembro que perguntava ao meu pai quantos km faltavam para chegar, de cinco em cinco minutos. Parávamos na metade do caminho para um lanche, tanto na ida como na volta. Na ida almoçávamos na Churrascaria Rio Grandense, éramos os primeiros clientes. Quando meu avô morreu e os donos souberam, não deixaram meus pais pagarem pelo almoço. Ele era um sujeito muito querido e deixou muitos amigos. Há poucos anos atrás parei para almoçar lá com minha mulher. Um dos donos lembrou de mim e da minha família. Eu gosto destas histórias.
Na volta o restaurante Figueira Branca era parada obrigatória. Era uma viagem mais curta que a da ida, pois não tínhamos ansiedade alguma em voltar para São Paulo. Enfim, ir para Dourado era um evento e tanto!
Hoje, mais de trinta anos depois, vendo meus filhos em suas cadeirinhas pelo retrovisor, lembro com muita saudade daquela época e desejo para eles uma infância tão feliz quanto a que eu e meu irmão tivemos. Sempre quando posso, levo a minha família para Dourado. Apesar de não ficarmos na nossa casa, sempre levo meus filhos até lá e até a fábrica, para que eles tenham contato com suas origens. Com a história da família deles.
Em 1975 minha mãe já tinha dois filhos. Ela é filha única, de um pai que sempre esperou um filho homem. Uma coisa boba hoje, mas que na época não era, ainda mais se tratando de um filho de libanês. O fato de minha mãe dar ao seu pai dois netos homens foi de uma alegria muito grande para meu avô. aí que entra em cena o carro deste post: o Alfa Romeo 2300 1975.
Sempre gostei de carro. E de carro bom. Quando vi e me falaram o nome deste, repetia sempre: "mãe, compra um Faromeo!". Lembro-me disso como se fosse hoje. As Alfas começaram a ser feitas em 1974, a fábrica era no Rio de Janeiro. A famosa FeNeMê. Era um carro que, apesar de mal construído, de fácil corrosão, ausência de direção hidráulica, era muito charmoso. Freio a disco nas quatro rodas, um luxo que poucos nacionais apresentam nos dias de hoje. Os R/Ts não tinham. Antena elétrica, mostradores Veglia feitos na Itália. Desenho muito bonito, até hoje.
Enfim, começou a campanha da minha mãe para ganhar um carro novo. Meu avô tentou persuadi-la à comprar um Corcel Belina, mas não teve a menor chance. E em 1975, fomos à concessionária Duetto, em São Paulo. O carro custou uma pequena fortuna na época, e chamava muito a atenção por onde passava. Via-se poucos carros destes na rua. Viajamos muito pouco com esse carro, que tinha alguns problemas crônicos, como a ausência de direção assistida, o câmbio ruim, e outros diversos. Além de ser um carro pesado, diferente do Dodge e do Passat.
Mas eu adorava esse carro. Foi o que mais ficou em casa, depois do Passat 76. Quando minha mãe assumiu a fábrica, era comum eu e o meu irmão ficarmos de um a três meses sem vê-la. Meu pai cuidou de nós este tempo todo, e isso durou quase dez anos. Eu tinha treze anos, já sabia manobrar o carro. Passava a tarde na garagem com as ferramentas, desmontando lanternas, acabamentos, limpando, esquentando o motor 2300 movido exclusivamente à gasolina especial (ou azul). Aliás, esse era um grande problema. Seu motor sensível não se adaptava à péssima gasolina comum, e o carro batia pino. Era uma máquina do tempo para mim. Eu sentava ao volante, ligava o som, e voltava às épocas boas que tivemos com ele, em família!
Em 1985, ele foi vendido por um valor irrisório para um conhecido do meu pai. Foi a única vez que eu chorei por causa de um automóvel. Já não bastava ter vendido o Magnum? Agora a Alfa? E ela se foi, com seus 53 mil km rodados. Ficaram o Fusca (que eu não gostava) e o Passat, já bem deteriorado. A Alfa era o testemunho de um tempo muito bom, e estávamos em tempos muito difíceis no meio dos 80s. Raramente tínhamos dinheiro para abastecer o tanque de 100 l de gasolina. O carro ficava meses sem sair, mas sempre na garagem coberta. Foi melhor assim, racionalizando. Lembro que fazíamos lanche aos domingos com pão e manteiga, meu pai estava muito mal financeiramente, e mesmo assim curtíamos muito! Sempre fomos muito felizes, meu pai foi e é um grande pai!
Nunca mais vi meu "Faromeo", ele desapareceu do mapa. Varias vezes pensei em comprar um, mas são carros muito raros e de difícil restauração, já que apodreciam estacionados. O nosso tinha as caixas já com alguns furos. Desisti de qualquer tentativa, mas sempre levarei na memória o meu Alfa Romeo 2300. E tudo que ele representou para nós! Quem sabe um dia...
Abraços!
Luis Vital
Na volta o restaurante Figueira Branca era parada obrigatória. Era uma viagem mais curta que a da ida, pois não tínhamos ansiedade alguma em voltar para São Paulo. Enfim, ir para Dourado era um evento e tanto!
Eu e meu irmão, brincando na lama! Atrás da fábrica.
Hoje, mais de trinta anos depois, vendo meus filhos em suas cadeirinhas pelo retrovisor, lembro com muita saudade daquela época e desejo para eles uma infância tão feliz quanto a que eu e meu irmão tivemos. Sempre quando posso, levo a minha família para Dourado. Apesar de não ficarmos na nossa casa, sempre levo meus filhos até lá e até a fábrica, para que eles tenham contato com suas origens. Com a história da família deles.
Em 1975 minha mãe já tinha dois filhos. Ela é filha única, de um pai que sempre esperou um filho homem. Uma coisa boba hoje, mas que na época não era, ainda mais se tratando de um filho de libanês. O fato de minha mãe dar ao seu pai dois netos homens foi de uma alegria muito grande para meu avô. aí que entra em cena o carro deste post: o Alfa Romeo 2300 1975.
Frente imponente, muito estilo.
Lembro deste descansa braço até hoje. Eram 4 horas de viagem.
Esse painel não tem igual, até hoje. Minha opinião... O nosso não tinha A/C
Enfim, começou a campanha da minha mãe para ganhar um carro novo. Meu avô tentou persuadi-la à comprar um Corcel Belina, mas não teve a menor chance. E em 1975, fomos à concessionária Duetto, em São Paulo. O carro custou uma pequena fortuna na época, e chamava muito a atenção por onde passava. Via-se poucos carros destes na rua. Viajamos muito pouco com esse carro, que tinha alguns problemas crônicos, como a ausência de direção assistida, o câmbio ruim, e outros diversos. Além de ser um carro pesado, diferente do Dodge e do Passat.
Mas eu adorava esse carro. Foi o que mais ficou em casa, depois do Passat 76. Quando minha mãe assumiu a fábrica, era comum eu e o meu irmão ficarmos de um a três meses sem vê-la. Meu pai cuidou de nós este tempo todo, e isso durou quase dez anos. Eu tinha treze anos, já sabia manobrar o carro. Passava a tarde na garagem com as ferramentas, desmontando lanternas, acabamentos, limpando, esquentando o motor 2300 movido exclusivamente à gasolina especial (ou azul). Aliás, esse era um grande problema. Seu motor sensível não se adaptava à péssima gasolina comum, e o carro batia pino. Era uma máquina do tempo para mim. Eu sentava ao volante, ligava o som, e voltava às épocas boas que tivemos com ele, em família!
Em casa. Dourado-SP. Tempos inesquecíveis. Ao fundo o corcel 77.
Camisetas da Duetto. Ganhei várias da concessionária!
Quase perdendo o primeiro dente de leite.
Em 1985, ele foi vendido por um valor irrisório para um conhecido do meu pai. Foi a única vez que eu chorei por causa de um automóvel. Já não bastava ter vendido o Magnum? Agora a Alfa? E ela se foi, com seus 53 mil km rodados. Ficaram o Fusca (que eu não gostava) e o Passat, já bem deteriorado. A Alfa era o testemunho de um tempo muito bom, e estávamos em tempos muito difíceis no meio dos 80s. Raramente tínhamos dinheiro para abastecer o tanque de 100 l de gasolina. O carro ficava meses sem sair, mas sempre na garagem coberta. Foi melhor assim, racionalizando. Lembro que fazíamos lanche aos domingos com pão e manteiga, meu pai estava muito mal financeiramente, e mesmo assim curtíamos muito! Sempre fomos muito felizes, meu pai foi e é um grande pai!
Nunca mais vi meu "Faromeo", ele desapareceu do mapa. Varias vezes pensei em comprar um, mas são carros muito raros e de difícil restauração, já que apodreciam estacionados. O nosso tinha as caixas já com alguns furos. Desisti de qualquer tentativa, mas sempre levarei na memória o meu Alfa Romeo 2300. E tudo que ele representou para nós! Quem sabe um dia...
Abraços!
Luis Vital
terça-feira, 22 de março de 2011
Acho que o extintor está vencido...
Hoje cheguei em casa, encontrei minha vizinha com seus filhos, cujo marido estaciona o carro na frente do Magnum. Perguntei se estavam bem, tenho excelentes vizinhos, e fico sabendo que ele só voltaria as 23h. Pensei: vou sair de Magnum, vaga livre! Toda oportunidade deve ser aproveitada, não só pelo prazer proporcionado, mas também para ir vendo os pontos de melhoria no acerto mecânico do carro.
Uma coisa é fato: consigo ter este monte de carros graças aos meus vizinhos, que alugam suas vagas para mim. As vezes o dinheiro do aluguel não pagaria o incômodo de ter um carro tão grande atrás. O bom relacionamento com eles me ajuda na manutenção da minha coleção. As vezes estou mexendo no carro, e as crianças de várias idades pedem para entrar nele e ficam perguntando coisas sobre a história dele. Os pais comentam que também andaram em Dodges na infância. Ou dos próprios pais, ou de um tio... Surgem histórias e amigos.
Voltando ao carro. Estranhamente, demorou a pegar. A carburação ainda requer ajustes. Mas pegou, e lá fomos nós dois pela noite paulistana. Resolvi comprar um extintor de incêndio, já que o dele está vencido há mais de .... 28 anos. Isso mesmo! Claro que guardei o cilindro junto com as outras tralhas que tenho no depósito do prédio. Venceu em 1983 !!! Eu estava na 5a série, rsss.... E sou engenheiro formado há 15 anos. Só sei que esse tempo voou. Por isso vale a pena aproveitar bem todas as fases da vida.
Noite bonita, Magnum brilhando. Parei no farol e o engraçado foi que dois moleques que iam atravessar a rua pararam e esperaram o farol abrir. Só para ver o carro passar. Incrível como os Dodges tem admiradores de todas as idades...
Seguem as fotos.
Abraços!
Que belo painel! Pena que o flash anula a bela iluminação interna. O acabamento imitação madeira meio descolado, original!
Vital
Uma coisa é fato: consigo ter este monte de carros graças aos meus vizinhos, que alugam suas vagas para mim. As vezes o dinheiro do aluguel não pagaria o incômodo de ter um carro tão grande atrás. O bom relacionamento com eles me ajuda na manutenção da minha coleção. As vezes estou mexendo no carro, e as crianças de várias idades pedem para entrar nele e ficam perguntando coisas sobre a história dele. Os pais comentam que também andaram em Dodges na infância. Ou dos próprios pais, ou de um tio... Surgem histórias e amigos.
Voltando ao carro. Estranhamente, demorou a pegar. A carburação ainda requer ajustes. Mas pegou, e lá fomos nós dois pela noite paulistana. Resolvi comprar um extintor de incêndio, já que o dele está vencido há mais de .... 28 anos. Isso mesmo! Claro que guardei o cilindro junto com as outras tralhas que tenho no depósito do prédio. Venceu em 1983 !!! Eu estava na 5a série, rsss.... E sou engenheiro formado há 15 anos. Só sei que esse tempo voou. Por isso vale a pena aproveitar bem todas as fases da vida.
Noite bonita, Magnum brilhando. Parei no farol e o engraçado foi que dois moleques que iam atravessar a rua pararam e esperaram o farol abrir. Só para ver o carro passar. Incrível como os Dodges tem admiradores de todas as idades...
Seguem as fotos.
Abraços!
Venceu em 1983 !!!
Que belo painel! Pena que o flash anula a bela iluminação interna. O acabamento imitação madeira meio descolado, original!
Vital
domingo, 13 de março de 2011
Monza Classic SE automático 1989
Neste post sairei totalmente da proposta das minhas histórias, pois se trata de um carro inusitado. Meu Monza Classic SE 1989. Durante minha adolescência meus pais tiveram alguns Monzas. Indispensável citar o sucesso que esse carro fez nos anos 80, atingindo inclusive a liderança em vendas durante três anos consecutivos. E era realmente um carro muito bom! Símbolo da classe média, ainda era atual no final dos anos 80. Depois fizeram uma plástica forçada nos seus derradeiros anos. Não ficou ruim mas também não ficou bom.
Enfim, nunca passou pela minha cabeça ter um Monza, pelo menos depois de formado. O ponto é que eu sempre dei passos muito largos na minha vida, e isso tem prós e contras. Entre os prós, isso estimula a trabalhar mais e a alcançar mais. Entre os contras, o fato de nem sempre tudo sair como planejamos. Foi um pouco o que aconteceu no começo de 2003.
Eu e minha mulher resolvemos nos casar. Havíamos comprado um apartamento além das nossas possibilidades, dois anos antes. Foi entregue na semana da cerimônia religiosa. Graças a Deus as coisas se resolveram, mas já passei muita dureza na minha vida. Desde que a fábrica parou de ser lucrativa, passei a a ajudar pesadamente em casa, com muito orgulho ajudei a formar meu irmão caçula, entre outras coisas. O fato é que não sobrava muito dinheiro e sempre me endividei razoavelmente. E assim estava em 2003. Tínhamos dois carros razoavelmente novos, e eu estava incomodado com as nossas novas responsabilidades financeiras. Uma hipoteca, uma nova casa, etc... Hoje lembro com saudades desta fase, pois superamos com muito suor, e fica um gosto bom de vitória.
O ponto é que precisei vender meu carro para pagar as dívidas do início do nosso apartamento. O Lula acabara de ser eleito, o IGPM deu um tremendo pulo e minha dívida cresceu bem em dois únicos meses. Anunciei meu carro na segunda feira, na quinta estava assinando a transferência.
Fiquei a pé. Nada grave, pois moro perto do Metrô e a empresa na qual trabalho fica muito próxima. O fato é que eu era aluno de mestrado na Cidade Universitária naquela época. E chegar até a USP sem carro é complicado, e dividir o carro com minha mulher não estava dando certo.
Um belo dia estou passeando a pé no bairro e vejo um pequeno encontro de carros antigos, no posto de gasolina do meu amigo Carlos, que tinha um Charger na época, fato que já narrei. Vi um Monza com placa de venda. Estava irritado, sem carro. Vi o valor, 6 mil. Comprei, fiz mais uma dívida. Era para ser um quebra galho.
O problema é que comecei a gostar do carro, e sou perfeccionista. Nesta época conheci o José, meu amigo e funileiro. Fui até a oficina, no bairro da vila Mariana. Ele estava abaixado, martelando um carro. Olhou com um tremendo descaso para o carro. Perguntei quanto sairia para consertar um ponto de ferrugem na traseira. Ele respondeu que não dava orçamento para podres, só depois de pronto. Que cara mais arrogante! Mas fui em frente, e comecei a ver o trabalho dele. Resumindo, é um grande amigo hoje, já reformou dois carros meus, concertou várias batidas, e tomamos café quase todos os dias na padaria do lado da oficina.
O Zé, meu amigo e funileiro, dando uma de eletricista.
Comecei a me apegar ao carro e a querer deixa-lo zero, e fiz! Comprei parachoques novos, polainas, troquei o para brisas trincado, os frisos. O carro ficou lindo! Não que não fosse motivo de gozação da molecada, pois era o pior carro de toda a equipe no trabalho. Eu não estava nem aí. A placa dele era COC-0xxx. Pegaram as letras e o zero e não preciso falar o resto. Era o cocô.
Nos restaurantes, ficava amigo de todos os manobristas, dada a afinidade deles com o carro, alguns até tinham um. No meu prédio, eu e o porteiro tínhamos Monza. Ia ao Fifties, uma lanchonete de SP, e o manobrista deixava o carro em uma vaga especial! Realmente eu gostava desse carro, achava isso tudo divertido.
Mas nem tudo é alegria. O carro já tinha mais de 130 mil quilômetros. Era automático, não passava de 120 km/h. Fazia 5 km/l de gasolina. E dava problema todo mês. E eu arrumava! Um dia quebrou a mola dianteira. Meu amigo Luciano começou a rir desenfreadamente, dizendo que o carro sofrera um derrame.
Depois arrumei tudo e ficou muito bom! Viajei muito com ele, em 18 meses rodei 14 mil quilômetros. Todos gostavam do Monza, exceto minha mulher. Ela não se conformava com a quantidade de problemas que o carro dava e com o dinheiro consumido pelos consertos. Como ainda pagava seguro, mesmo para um carro de quatorze anos, algumas vezes o carro passeou de plataforma, até ganhei alguns lanches da Porto Seguro. Uma vez o alternador pifou na porta do vizinho, do outro lado do prédio. O carro não ia nem para frente nem para trás. Não dava para fazer pegar, pois era automático. O vizinho teve a cara de pau de falar: "Olha, seu carro é muito bonito, mas um carro destes não era para estar rodando mais. É muito velho!". E falou num tom de aconselhamento. Aguentei quieto, não valia a pena responder.
Finalmente em janeiro de 2005 minha mulher recebeu um carro da empresa e o dela ficou sobrando, e veio para mim. Condição: vender o Monza. Enrolei, falei que não valia a pena. E, de fato, era um carro difícil de vender. Não era antigo, nem clássico. Na verdade, eu achava que nunca ninguém compraria por um preço justo. Era um modelo caído, automático. Não dá para comparar um carro destes automático com os nossos carros atuais. Era realmente ruim.
Na época estávamos fazendo armários no apartamento. Novo aperto. Quase no mesmo dia uma colega de trabalho falou que o marido vira o meu carro e gostaria de comprar, perguntou se estava a venda. Saiu negócio. Não teve jeito, e em janeiro de 2005 o meu Monza mudou de casa. O rapaz parecia uma criança ao ver o carro, foi muito legal. Foi para o dono certo. Até onde sei está bem cuidado, sob capa, e é tratado como carro de coleção. Lembro do carro sumindo na minha rua, já com seu novo dono. e o preço foi razoável. Tudo bem que a mulher dele reclamou por algum tempo por eu ter vendido o carro para ele. O engraçado é, que no mesmo dia que entreguei o carro, minha mulher bateu o dela na garagem. Fiquei a pé por mais uma semana.
Lembro com muito carinho deste carro. Não tenho fotos, essa foi tirada pelo novo proprietário. Não me arrependo de te-lo vendido, meu tempo com ele já havia passado. Enquanto esteve comigo me ajudou muito.
Abraços!
Vital
quinta-feira, 10 de março de 2011
Dodge Magnum 1979 cinza báltico - C088656
Bom, já contei sobre os Dodges da minha infância. Foram apenas dois, mas que realmente deixaram saudades. Esta ano se completam trinta anos que o Magnum cinza do meu avô foi vendido. Eu tinha nove anos na época e nenhum poder de decisão. Aliás, soube da venda do carro quando ele já havia sido entregue.
Na verdade, com a morte do meu avô a vida dos meus pais mudou muito, principalmente a da minha mãe. Preciso contar um pouco sobre ela para que, quem não a conhece, entenda a situação. Ela não foi criada para assumir negócios ou seguir uma carreira. E também nunca perseguiu isso. Estudou até o final do ginásio e depois se dedicou ( e ainda o faz) ao trabalho voluntário. Casou-se com meu pai no final dos anos sessenta e pronto. Já estava traçada a sua vida.
Mas as coisas não saíram como o planejado, como sempre! Filha única, com a morte do pai resolveu assumir a empresa. Foi um período muito difícil, como a fábrica ficava no interior e nós morávamos em São Paulo, ficávamos até três meses sem vê-la. Nesse período muito complicado meu pai foi muito firme e cuidou muito bem de mim e do meu irmão.
Com essa confusão toda, juntamente com a crise dos anos 80, quem iria ligar para os carros? O Magnum ficava estacionado meses na garagem, sem funcionar. Apesar de ser o nosso carro mais novo, era também o que consumia mais combustível. E minha mãe não utilizava o carro por tristeza. E o Passat era um carro mais prático, consumia menos combustível e tinha um porta malas gigantesco, onde eram carregadas peças de teares, amostras de tecido, e todo o sortimento de tranqueiras que precisássemos carregar.
Enfim, acabaram por vender o carro. Foi para um comerciante da 25 de Março, tradicional rua de comércio de tecidos, atualmente de todas as tranqueiras possíveis vindas da China também. Esse senhor morreu faz pouco tempo, mas o carro não era mais dele.
Muitos anos se passaram. Minha mãe, com sua persistência e dedicação, até teve sucesso com a tecelagem, que funcionou até o ano 2000. Foram vinte anos a frente do negócio, infelizmente o ramo de tecelagem deixou de ser interessante para as pequenas empresas, por ocasião da abertura do mercado. Enfim, ficam as boas recordações da tecelagem, sempre vou lembrar do cheiro de óleo da caldeira ligada, dos rolos dos teares sendo engomados e do tecido pronto sendo medido e embalado... enfim, já foi.
Em 2009 comprei um Dodge muito bom, e havia tomado a decisão que não compraria mais nenhum. Aliás, tinha assumido o compromisso com minha mulher que não compraria mais carros antigos. Por falta de espaço, pelo gasto de dinheiro que representa um carro antigo, e até por falta de tempo para usar, já que é um hobby que exige dedicação de tempo, além da monetária. Até havia cogitado a venda do Dart. Mas Dodge só se compra, não se vende, e desisti de vender o Dart. Vale citar que o Dart ficou três anos em um longo processo de hibernação, pois meu funileiro e grande amigo José não se animava em começar o trabalho. Hoje a restauração está correndo bem, deve levar mais um ano para o carro voltar a andar.
Desde que entrei no "ramo", adquiri um hábito ou vício, dependendo do ponto de vista. Sempre entro no site Mercado Livre para procurar carros e peças. Já comprei muita coisa neste site e raramente tive problemas. Adoro ver anúncios de carros lá, e sempre aparecem coisas interessantes. Como tudo é caro e eu cumpro minhas promessas, não havia perigo de comprar outro carro.
Sempre que me deparo com um Magnum ou com o Charger faço a tradicional pergunta:
"Amigo, o chassi de seu Dodge é C088324 (se for Magnum) / C059825 (se for r/T 74)?". Claro que até hoje não recebi nenhuma resposta positiva. As vezes fiquei até aliviado, dado o estado do carro anunciado.
Os Magnum originais são difíceis de serem vistos a venda. E quando são, geralmente são brancos ou marrons. Deparei-me nestes anos com alguns carros cinzas de plaqueta, mas nenhum era o procurado. Encontrei carros até num preço convidativo, mas a restauração me desanimava, não só pela funilaria, mas também pela falta de detalhes. Magnum sem calotas e sem bancos originais acabam por perder muito do brilho do modelo. O mais perto que cheguei foi num carro de um amigo comerciante de Dodges, bem conhecido. Mas promessa era promessa e não fui em frente. Era um carro bom para restauração, mas eu já tinha um grande problema para resolver, a reforma do meu Dart. Uma restauração é sempre uma incógnita quanto ao custo. E eu não poderia encarar mais uma, mesmo com o preço do carro sendo muito bom. Para tornar mais interessante, o carro das fotos abaixo é do milhar 88, menos de 350 carros de distância do procurado. Enfim, não era para ser.
No final do ano passado aconteceu uma verdadeira enxurrada de Magnum cinza no Mercado Livre. Dois em Porto Alegre, um no Mato Grosso, além de outros bem descaracterizados. Os carros eram muito bons, exceto o último, para restauração total.
Fiz a tradicional pergunta, sem sucesso. Fiquei até aliviado, nenhum deles era muito barato e eu não poderia gastar dinheiro naquele momento. Comentei sobre os carros com um amigo ou outro, e por fim esqueci o assunto.
Alguns dias depois, recebo um email do meu amigo Alexandre. "Se mexe, o carro é muito bom e o preço também". Acabei ligando para o dono em POA, o carro parecia ser muito bom. E para colocar mais lenha na fogueira, contou-me que o carro é do milhar 88, apenas 320 carros de distância do procurado. Ou seja, conviveram no pátio da CDB, provavelmente.
Comentei com minha mulher, que achou loucura e fui obrigado a concordar com ela. Minha mulher é fantástica, e apesar de não gostar de carros, entende a minha paixão. Fiquei pensativo, um pouco quieto, após falar com o dono do carro. Fiquei muito interessado, mas não iria comprar. Ela, com sua grande sensibilidade, percebeu e perguntou se o problema era o carro, o que respondi afirmativamente.
"Se é importante para você, vai lá ver e compre.". Dia seguinte estava em Congonhas, embarcando para POA. Insanidade total. Não conheço a cidade, não conhecia o dono e o bairro era distante do aeroporto. Perguntei para ele se havia um hotelzinho perto, e me surpreendi com o convite: "Fica em casa mesmo, tem espaço.". Muito diferente do que estamos acostumados em SP.
Cheguei em POA a noite. O dono do carro estava me esperando no aeroporto. Fomos conversando, a casa dele fica a 40 km do aeroporto. Ficamos grandes amigos, a família dele é espetacular, fui muito bem recebido e me senti em casa! Assim que chegamos fui ver o carro, e no mesmo segundo falei: "É meu!". Abri minha mala, tirei o adesivo "EMOÇÃO 79" de dentro e colei no carro. O Badolato me deu este adesivo uns anos antes. Guardei, precisava apenas do carro para colar!
No dia seguinte andei com o carro, que naturalmente precisava de uma boa revisão. O dono estava investindo pesado na reforma de um outro Dodge e resolveu vender o Magnum, do qual já era proprietário desde 2000. Tudo resolvido, carro pago, recibo na carteira, vamos embarcar o carro! Chegando na transportadora, descobrimos que seria necessária uma nota fiscal com o carimbo de um orgão estadual (esqueci o nome...) liberando a saída do estado. Foi uma loucura. Corremos feito loucos, a tal repartição fechava as 17h e a transportadora fechava as 18h. Na volta, fomos pelo porto. Só dodge proporciona estas loucuras.
Carro embarcado, peguei o vôo para casa. Dois dias depois o Magnum desembarcou na oficina. Está sendo totalmente revisado. O desmonte revelou ser um carro muito original ainda. As faixas laterais são ainda as de fábrica, o que reforça a decisão de nunca pintar o carro inteiro. Serão feitos apenas alguns retoques.
Finalmente eu teria um Magnum. A emoção da minha mãe ao ver o carro foi algo ímpar. Hoje, como estou em férias, vou levar a bateria nova, as rodas recém reformadas e os pneus novos para a oficina. Saindo de lá, irá para a funilaria. Eu e meu mecânico retiramos o porta malas e mandamos reproduzir a tinta. Vale lembrar que ele tem um gêmeo do meu carro! O carro não será restaurado, apenas retocarei onde for necessário. Será o mais original possível.
abraços
Vital
Na verdade, com a morte do meu avô a vida dos meus pais mudou muito, principalmente a da minha mãe. Preciso contar um pouco sobre ela para que, quem não a conhece, entenda a situação. Ela não foi criada para assumir negócios ou seguir uma carreira. E também nunca perseguiu isso. Estudou até o final do ginásio e depois se dedicou ( e ainda o faz) ao trabalho voluntário. Casou-se com meu pai no final dos anos sessenta e pronto. Já estava traçada a sua vida.
Mas as coisas não saíram como o planejado, como sempre! Filha única, com a morte do pai resolveu assumir a empresa. Foi um período muito difícil, como a fábrica ficava no interior e nós morávamos em São Paulo, ficávamos até três meses sem vê-la. Nesse período muito complicado meu pai foi muito firme e cuidou muito bem de mim e do meu irmão.
Com essa confusão toda, juntamente com a crise dos anos 80, quem iria ligar para os carros? O Magnum ficava estacionado meses na garagem, sem funcionar. Apesar de ser o nosso carro mais novo, era também o que consumia mais combustível. E minha mãe não utilizava o carro por tristeza. E o Passat era um carro mais prático, consumia menos combustível e tinha um porta malas gigantesco, onde eram carregadas peças de teares, amostras de tecido, e todo o sortimento de tranqueiras que precisássemos carregar.
Enfim, acabaram por vender o carro. Foi para um comerciante da 25 de Março, tradicional rua de comércio de tecidos, atualmente de todas as tranqueiras possíveis vindas da China também. Esse senhor morreu faz pouco tempo, mas o carro não era mais dele.
Muitos anos se passaram. Minha mãe, com sua persistência e dedicação, até teve sucesso com a tecelagem, que funcionou até o ano 2000. Foram vinte anos a frente do negócio, infelizmente o ramo de tecelagem deixou de ser interessante para as pequenas empresas, por ocasião da abertura do mercado. Enfim, ficam as boas recordações da tecelagem, sempre vou lembrar do cheiro de óleo da caldeira ligada, dos rolos dos teares sendo engomados e do tecido pronto sendo medido e embalado... enfim, já foi.
Em 2009 comprei um Dodge muito bom, e havia tomado a decisão que não compraria mais nenhum. Aliás, tinha assumido o compromisso com minha mulher que não compraria mais carros antigos. Por falta de espaço, pelo gasto de dinheiro que representa um carro antigo, e até por falta de tempo para usar, já que é um hobby que exige dedicação de tempo, além da monetária. Até havia cogitado a venda do Dart. Mas Dodge só se compra, não se vende, e desisti de vender o Dart. Vale citar que o Dart ficou três anos em um longo processo de hibernação, pois meu funileiro e grande amigo José não se animava em começar o trabalho. Hoje a restauração está correndo bem, deve levar mais um ano para o carro voltar a andar.
Desde que entrei no "ramo", adquiri um hábito ou vício, dependendo do ponto de vista. Sempre entro no site Mercado Livre para procurar carros e peças. Já comprei muita coisa neste site e raramente tive problemas. Adoro ver anúncios de carros lá, e sempre aparecem coisas interessantes. Como tudo é caro e eu cumpro minhas promessas, não havia perigo de comprar outro carro.
Sempre que me deparo com um Magnum ou com o Charger faço a tradicional pergunta:
"Amigo, o chassi de seu Dodge é C088324 (se for Magnum) / C059825 (se for r/T 74)?". Claro que até hoje não recebi nenhuma resposta positiva. As vezes fiquei até aliviado, dado o estado do carro anunciado.
Os Magnum originais são difíceis de serem vistos a venda. E quando são, geralmente são brancos ou marrons. Deparei-me nestes anos com alguns carros cinzas de plaqueta, mas nenhum era o procurado. Encontrei carros até num preço convidativo, mas a restauração me desanimava, não só pela funilaria, mas também pela falta de detalhes. Magnum sem calotas e sem bancos originais acabam por perder muito do brilho do modelo. O mais perto que cheguei foi num carro de um amigo comerciante de Dodges, bem conhecido. Mas promessa era promessa e não fui em frente. Era um carro bom para restauração, mas eu já tinha um grande problema para resolver, a reforma do meu Dart. Uma restauração é sempre uma incógnita quanto ao custo. E eu não poderia encarar mais uma, mesmo com o preço do carro sendo muito bom. Para tornar mais interessante, o carro das fotos abaixo é do milhar 88, menos de 350 carros de distância do procurado. Enfim, não era para ser.
No final do ano passado aconteceu uma verdadeira enxurrada de Magnum cinza no Mercado Livre. Dois em Porto Alegre, um no Mato Grosso, além de outros bem descaracterizados. Os carros eram muito bons, exceto o último, para restauração total.
Fiz a tradicional pergunta, sem sucesso. Fiquei até aliviado, nenhum deles era muito barato e eu não poderia gastar dinheiro naquele momento. Comentei sobre os carros com um amigo ou outro, e por fim esqueci o assunto.
Alguns dias depois, recebo um email do meu amigo Alexandre. "Se mexe, o carro é muito bom e o preço também". Acabei ligando para o dono em POA, o carro parecia ser muito bom. E para colocar mais lenha na fogueira, contou-me que o carro é do milhar 88, apenas 320 carros de distância do procurado. Ou seja, conviveram no pátio da CDB, provavelmente.
Comentei com minha mulher, que achou loucura e fui obrigado a concordar com ela. Minha mulher é fantástica, e apesar de não gostar de carros, entende a minha paixão. Fiquei pensativo, um pouco quieto, após falar com o dono do carro. Fiquei muito interessado, mas não iria comprar. Ela, com sua grande sensibilidade, percebeu e perguntou se o problema era o carro, o que respondi afirmativamente.
"Se é importante para você, vai lá ver e compre.". Dia seguinte estava em Congonhas, embarcando para POA. Insanidade total. Não conheço a cidade, não conhecia o dono e o bairro era distante do aeroporto. Perguntei para ele se havia um hotelzinho perto, e me surpreendi com o convite: "Fica em casa mesmo, tem espaço.". Muito diferente do que estamos acostumados em SP.
Cheguei em POA a noite. O dono do carro estava me esperando no aeroporto. Fomos conversando, a casa dele fica a 40 km do aeroporto. Ficamos grandes amigos, a família dele é espetacular, fui muito bem recebido e me senti em casa! Assim que chegamos fui ver o carro, e no mesmo segundo falei: "É meu!". Abri minha mala, tirei o adesivo "EMOÇÃO 79" de dentro e colei no carro. O Badolato me deu este adesivo uns anos antes. Guardei, precisava apenas do carro para colar!
No dia seguinte andei com o carro, que naturalmente precisava de uma boa revisão. O dono estava investindo pesado na reforma de um outro Dodge e resolveu vender o Magnum, do qual já era proprietário desde 2000. Tudo resolvido, carro pago, recibo na carteira, vamos embarcar o carro! Chegando na transportadora, descobrimos que seria necessária uma nota fiscal com o carimbo de um orgão estadual (esqueci o nome...) liberando a saída do estado. Foi uma loucura. Corremos feito loucos, a tal repartição fechava as 17h e a transportadora fechava as 18h. Na volta, fomos pelo porto. Só dodge proporciona estas loucuras.
Carro embarcado, peguei o vôo para casa. Dois dias depois o Magnum desembarcou na oficina. Está sendo totalmente revisado. O desmonte revelou ser um carro muito original ainda. As faixas laterais são ainda as de fábrica, o que reforça a decisão de nunca pintar o carro inteiro. Serão feitos apenas alguns retoques.
Finalmente eu teria um Magnum. A emoção da minha mãe ao ver o carro foi algo ímpar. Hoje, como estou em férias, vou levar a bateria nova, as rodas recém reformadas e os pneus novos para a oficina. Saindo de lá, irá para a funilaria. Eu e meu mecânico retiramos o porta malas e mandamos reproduzir a tinta. Vale lembrar que ele tem um gêmeo do meu carro! O carro não será restaurado, apenas retocarei onde for necessário. Será o mais original possível.
abraços
Vital
terça-feira, 8 de março de 2011
Ford F-100 V8 1972
Essa caminhonete, como disse anteriormente, foi comprada nova com o intuito de transportar lençóis. Não sei o motivo do negócio não ter ido para frente, pois meu avô era muito esperto e excelente negociante. Pode-se dizer que ele foi um empreendedor, antes do modismo da palavra. Era filho de imigrantes libaneses, mas perdeu o pai com vinte anos, depois de uma longa doença. Estudou até o equivalente da 6a série ginasial (mudou tudo, não sei a regra atual), mas era um verdadeiro autodidata. Resumindo, ele se fez sozinho e chegou longe.
Eu me lembro bem desta caminhonete, pois íamos muito ao rio Jacaré Pepira, em Dourado. Naquela época tanto meu avô quanto meu pai tinham canoas com motores de popa, até hoje não sei o motivo. Nem um dos dois sabia ou gostava de pescar. Mas, enfim, mais vale um gosto. Sei que a moda acabou quando meu pai bateu num pilar da ponte e estragou o brinquedo. Tenho muitas fotos destas empreitadas, mas ainda não foram digitalizadas.
Para andar nas estradas péssimas e cheias de barro, era necessário por peso na caçamba, pois a F-100 rodava com muita facilidade. Minha mãe, com seu pé pesado, rodou e quase bateu. Não podemos esquecer, é um motor V8, tinha excelente torque, caçamba leve e pneus finos, a combinação perfeita para rodar na estrada de terra.
Lembro da imensidão da caçamba, dado que eu tinha apenas três anos. Particularmente eu gostava da F100, apesar da sua cor um tanto quanto diferente e é um dos carros que gostaria de ter na coleção.
Colecionar carros é muito legal, mas não é muito fácil. Para quem mora em São Paulo, um grande limitador (depois do dinheiro!) é o espaço. Moro em prédio, e desconfio que uma F100 nem entre no subsolo. Outro ponto é o trânsito infernal. Apesar de gostar do assunto, não gosto de sofrer. São carros inadequados para a situação de hoje, com o trânsito caótico, muitas motocicletas, faixas estreitas. Ainda vou construir um galpão ou coisa do gênero para guardar os carros, mas isso é um plano para um futuro ainda distante. Logo, ter uma F100 não está nas minhas prioridades. Ela é tão grande que, no dia em que meu pai foi busca-la no revendedor Ford, ao entrar em casa acabou por raspar a lateral no portão, fato que gerou discussão entre genro e sogro. A caminhonete tinha apenas alguns quilômetros rodados!
Com a crise do petróleo e com a total perda de interesse nos barcos, a bela Ford passou ser pouco utilizada. Já tínhamos na época o Charger, uma Alfa e um Corcel. Era carro demais para pouca gente para dirigir. Minha mãe começou a pressionar o meu avô para que ele vendesse. Como disse anteriormente, meu avô era um excelente negociante. Aliás, ganhava mais dinheiro nas transações comerciais do que na fabricação de tecidos propriamente dita. Nunca ele venderia algo na pressa, a não ser por necessidade. Como na época ele estava muito bem financeiramente, já nos seus 64 anos, a caminhonete ficou.
Um fazendeiro e também dono de uma companhia de seguros, e que era muito amigo dele, começou a perguntar sobre a caminhonete. "Por que você não vende, Babi?", questionava. "Porque é para minha filha levar os meninos para passear.". Minha mãe queria distância da caminhonete! Realmente ele era bom negociante.
No final das contas ele vendeu a F100 para o amigo, e entrou na negociação uma TL azul marinho. No dia seguinte foi trocada por um Passat. Ainda vi essa F100 na mão do amigo dele por um tempo. Depois desapareceu, nunca mais soube.
Não tivemos outra caminhonete. Eu nunca tive depois de adulto, mas meu irmão tem e adora esse tipo de carro. Claro que, quando preciso, recorro a ele!
abraços!
Vital
Faixada da tecelagem em 1973.
Eu em um dos barcos, em 1973
Lembro da imensidão da caçamba, dado que eu tinha apenas três anos. Particularmente eu gostava da F100, apesar da sua cor um tanto quanto diferente e é um dos carros que gostaria de ter na coleção.
meu irmão, 1974. Reparem que ela não tem placas.
Eu, ao volante.
Nossa casa em 74. E ainda é assim.
Eu, descobrindo o mundo!
Não sei como, mas nunca teve placas!
Na entrada de casa. Minha avó e eu.
cena pitoresca. foto tirada na estrada. Meu avô ao volante.
Colecionar carros é muito legal, mas não é muito fácil. Para quem mora em São Paulo, um grande limitador (depois do dinheiro!) é o espaço. Moro em prédio, e desconfio que uma F100 nem entre no subsolo. Outro ponto é o trânsito infernal. Apesar de gostar do assunto, não gosto de sofrer. São carros inadequados para a situação de hoje, com o trânsito caótico, muitas motocicletas, faixas estreitas. Ainda vou construir um galpão ou coisa do gênero para guardar os carros, mas isso é um plano para um futuro ainda distante. Logo, ter uma F100 não está nas minhas prioridades. Ela é tão grande que, no dia em que meu pai foi busca-la no revendedor Ford, ao entrar em casa acabou por raspar a lateral no portão, fato que gerou discussão entre genro e sogro. A caminhonete tinha apenas alguns quilômetros rodados!
Com a crise do petróleo e com a total perda de interesse nos barcos, a bela Ford passou ser pouco utilizada. Já tínhamos na época o Charger, uma Alfa e um Corcel. Era carro demais para pouca gente para dirigir. Minha mãe começou a pressionar o meu avô para que ele vendesse. Como disse anteriormente, meu avô era um excelente negociante. Aliás, ganhava mais dinheiro nas transações comerciais do que na fabricação de tecidos propriamente dita. Nunca ele venderia algo na pressa, a não ser por necessidade. Como na época ele estava muito bem financeiramente, já nos seus 64 anos, a caminhonete ficou.
Um fazendeiro e também dono de uma companhia de seguros, e que era muito amigo dele, começou a perguntar sobre a caminhonete. "Por que você não vende, Babi?", questionava. "Porque é para minha filha levar os meninos para passear.". Minha mãe queria distância da caminhonete! Realmente ele era bom negociante.
No final das contas ele vendeu a F100 para o amigo, e entrou na negociação uma TL azul marinho. No dia seguinte foi trocada por um Passat. Ainda vi essa F100 na mão do amigo dele por um tempo. Depois desapareceu, nunca mais soube.
Não tivemos outra caminhonete. Eu nunca tive depois de adulto, mas meu irmão tem e adora esse tipo de carro. Claro que, quando preciso, recorro a ele!
abraços!
Vital
segunda-feira, 7 de março de 2011
Passat LS 1976 bege alabastro
Dourado é uma cidade muito boa, clima agradável, cuja fundação ocorreu na fase do café. Belas fazendas, uma linda estação ferroviária que infelizmente foi demolida, igrejas, casas pitorescas. Enfim, um lugar muito agradável. Ou que pelo menos foi um dia. Hoje é uma cidade dormitório, decadente, vou para lá esporadicamente e quando o faço, hospedo-me nos hotéis fazenda de lá.
Por razões pessoais e políticas o meu avô não comprava nem pão na cidade. Tudo era comprado em Ribeirão Bonito (ou São Paulo), uma cidade um pouco melhor estruturada, que fica há dezoito quilômetros de distância. Costumo dizer que era o pão mais caro do mundo. 7 litros de gasolina para ir e voltar, quase todo santo dia. Ele passava o dia inteiro dentro da fábrica, isso quando não estava em São Paulo a negócios.
Quando nasci meu avô comprou uma F-100 V8, para utilizar numa nova atividade, que era fabricar lençóis. Não sei o motivo, mas ele logo abandonou a idéia e a caminhonete ficou ociosa. Contarei a história dela em breve. Como todo bom negociante, ele não fazia nenhum negócio precipitado, dom que eu não herdei. Qualquer negócio feito às pressas não é um bom negócio, fico repetindo isso, mas não resolve muito. No momento estou repetindo isso como um mantra, pois estou quase fechando um negócio e estou bem ansioso.
Um grande amigo do meu avô Elias, que frequentava sempre a nossa casa, perguntou se ele venderia a F100. Ele enrolou, titubeou, mas acabou vendendo e pegando um VW TL na troca. Mal sabia ele que meu avô queria se livrar da V8 beberrona.
Eu tinha só 4 anos, mas já achava o TL uma coisa muito estranha. E eu gostava da F-100. No dia seguinte, fomos a Ribeirão Bonito, achei que para cumprir a rotina diária do pão, açougue, banco, etc... Mas entramos numa concessionária VW (acreditem, Ribeirão tinha isso!!!). Já estava esperando, sem placas, um Passat 3 portas LS, na cor bege. Igual ao da propaganda. Eu não entendi nada, como sempre ele também não explicou. Perguntei o que estava escrito na tampa da buzina, e ele disse que estava escrito o meu nome e o do meu irmão. Estava escrito apenas PASSAT. Mal sabia eu que teria um convívio de mais de dez anos com aquela tampa de buzina, até ela cair de vez no último ano do carro conosco.
Esse carro foi comprado para uso em serviço. Minha mãe tinha a Alfa 75, meu pai um Corcel do ano, meu avô o R/T. Porém o carro era tão ágil para os padrões da época que logo minha mãe abandonou a Alfa na garagem e passou a utilizar somente este Passat. Para variar, rodou sem placas por alguns bons dias, e acabou sendo apreendido pela polícia rodoviária, mas tudo se resolveu com a chegada das placas.
Nesta época eu e meu irmão passávamos quatro meses direto em férias. Era muito bom! Meus avós estavam vivos e com saúde, tudo muito bem e estabilizado, meu pai na Ford, etc... tempos bons. Quem viveu essa época sabe do que estou falando, pois nos anos 80 já estávamos numa crise tão profunda que essa época parecia que nunca tinha existido.
Por razões pessoais e políticas o meu avô não comprava nem pão na cidade. Tudo era comprado em Ribeirão Bonito (ou São Paulo), uma cidade um pouco melhor estruturada, que fica há dezoito quilômetros de distância. Costumo dizer que era o pão mais caro do mundo. 7 litros de gasolina para ir e voltar, quase todo santo dia. Ele passava o dia inteiro dentro da fábrica, isso quando não estava em São Paulo a negócios.
Quando nasci meu avô comprou uma F-100 V8, para utilizar numa nova atividade, que era fabricar lençóis. Não sei o motivo, mas ele logo abandonou a idéia e a caminhonete ficou ociosa. Contarei a história dela em breve. Como todo bom negociante, ele não fazia nenhum negócio precipitado, dom que eu não herdei. Qualquer negócio feito às pressas não é um bom negócio, fico repetindo isso, mas não resolve muito. No momento estou repetindo isso como um mantra, pois estou quase fechando um negócio e estou bem ansioso.
Um grande amigo do meu avô Elias, que frequentava sempre a nossa casa, perguntou se ele venderia a F100. Ele enrolou, titubeou, mas acabou vendendo e pegando um VW TL na troca. Mal sabia ele que meu avô queria se livrar da V8 beberrona.
Eu tinha só 4 anos, mas já achava o TL uma coisa muito estranha. E eu gostava da F-100. No dia seguinte, fomos a Ribeirão Bonito, achei que para cumprir a rotina diária do pão, açougue, banco, etc... Mas entramos numa concessionária VW (acreditem, Ribeirão tinha isso!!!). Já estava esperando, sem placas, um Passat 3 portas LS, na cor bege. Igual ao da propaganda. Eu não entendi nada, como sempre ele também não explicou. Perguntei o que estava escrito na tampa da buzina, e ele disse que estava escrito o meu nome e o do meu irmão. Estava escrito apenas PASSAT. Mal sabia eu que teria um convívio de mais de dez anos com aquela tampa de buzina, até ela cair de vez no último ano do carro conosco.
Esse carro foi comprado para uso em serviço. Minha mãe tinha a Alfa 75, meu pai um Corcel do ano, meu avô o R/T. Porém o carro era tão ágil para os padrões da época que logo minha mãe abandonou a Alfa na garagem e passou a utilizar somente este Passat. Para variar, rodou sem placas por alguns bons dias, e acabou sendo apreendido pela polícia rodoviária, mas tudo se resolveu com a chegada das placas.
Eu, meu irmão e o Passat. Cresceríamos com ele em casa. Foram 10 anos!
Nesta época eu e meu irmão passávamos quatro meses direto em férias. Era muito bom! Meus avós estavam vivos e com saúde, tudo muito bem e estabilizado, meu pai na Ford, etc... tempos bons. Quem viveu essa época sabe do que estou falando, pois nos anos 80 já estávamos numa crise tão profunda que essa época parecia que nunca tinha existido.
Eu e o Otaviano, 1976. 4 e 2 anos. Era muito bom.
Fundos da fábrica, após uma bela chuva.
Ficamos com o Passat por dez anos. Hoje não é muito para um Honda, um Toyota ou até um GM. Mas naquela época os carros apodreciam numa velocidade espantosa. Como carro em casa foi sempre para usar, era de se esperar que o carro já estivesse bem ruim.
Neste carro aprendi a dirigir sozinho, com 12 anos de idade. Engatava a primeira, dava a partida e andava nos fundos da fábrica. Claro que sem minha mãe saber. Como a primeira marcha era muito próxima da marcha a ré, dei a minha segunda batida. O carro funcionou e bateu na entrada da casa, amassando a chapa embaixo do parachoque. A chapa encostou na polia do motor e era um barulho só. Tive que contar para minha mãe. Coitada, trabalhando na fábrica e eu aprontando com o carro dela. Realmente ela teve muita paciência comigo naquele dia. Hoje fico feliz por ter conseguido comprar um carro para ela.
Esse carro levou minha mãe em todas as viagens para Dourado, de 1980 até 1986, sem opções. Era o nosso único carro. E ele aguentou muito bem! Nunca fez motor, tinha a pintura bege muito queimada. Eu lavava o carro, passava aspirador, enfim, aprendi o pouco que sei de mecânica nele. E sei muito pouco mesmo. Mesmo nas piores crises financeiras, sempre estudei em escola particular de primeira linha, fato que devo ao meu pai. O estudo permitiu que, por mim mesmo, eu conseguisse recuperar o que perdemos e dar uma boa velhice para os meus pais e planejar um bom futuro para os meus filhos.
Em 1986, depois de muita batalha, meus pais melhoraram de situação e o Passat nos deixou, de maneira silenciosa. Entrou como 20% do Monza SL/E 1985 semi novo. Não quis ver o carro ir embora, nem soube o seu final. Nunca mais tivemos um Passat ou mesmo qualquer outro VW (exceto os meus gols). Nunca vou me esquecer da sua placa: VO-6447.
Esse carro me faz lembrar que, independente do que estamos passando, o importante é a união, o pensamento positivo e, muito, muito trabalho.
abraços !
Vital
domingo, 6 de março de 2011
Dodge Charger R/T 1974
Nasci em uma cidade do interior de SP chamada Dourado e posso dizer que cresci durante o grande desenvolvimento da industria automobilística nacional. Meu pai é engenheiro e na época trabalhava na Ford do Brasil em São Bernardo do Campo. Meu avô materno, com quem sempre tivemos muita ligação, fora prefeito de Dourado e era proprietário de uma tecelagem na mesma cidade. Neste lugar passava minhas férias com meus avós e meus pais, e foi uma época muito boa. Meu irmão nasceu em maio de 1974, um pouco mais novo do que eu.
O ambiente era propício para gostar de carros. Meu pai era fanático pelo assunto e na nossa casa sempre havia coisas legais (pelo menos para a época) na nossa garagem. Ele sempre trazia da Ford algumas novidades, como os belos Mavericks GT, além de outras coisas como as da linha Corcel. Um fato interessante era como o meu pai vestia a camisa da empresa e como venerava os produtos Ford. Mas a participação dos carros de oval azul na nossa garagem era discreta, limitando-se a um Corcel alugado (carro da empresa cedido ao funcionário mediante aluguel mensal, trocado anualmente).
Tivemos outros carros interessantes, como uma Alfa Romeo 2300 1975. Tivemos também um Opala 3800 1971, o carro que andei pela primeira vez, ao sair do hospital de Dourado, em dezembro do mesmo ano. Era verde oliva. Tivemos Passat, Fusca, e outras coisas. Mas nenhum carro marcou tanto minha infância quanto os Dodges que meu avô teve.
É incrível como algumas passagens e como a convivência com pessoas queridas e que são levadas muito cedo do nosso mundo fazem com que muitas lembranças boas existam, mas sejam vagas. Ficam as histórias contadas por quem já era adulto na época, combinadas com as lembranças que carregamos no coração. Conto aqui uma mistura das minhas lembranças com as histórias contadas pelos meus pais.
Meu avô era um sujeito grandalhão, largo e usava no dia a dia os mesmos trajes que usava na fábrica que construiu: sapatão, calças largas e camisas de linho fora da calça. Fumava cigarros de palha e adorava jogar conversa fora com todas as pessoas que o quisessem fazer. Tinha voz grossa e fama de ser um sujeito muito bravo, mas com coração bom. Filho de imigrantes libaneses, veio de família rica, perdeu o pai cedo e ficou muito pobre em função da doença do pai, tendo que sustentar a mãe e a irmã. Conseguiu vencer a muito custo e contruiu muita coisa, para si e para a cidade de Dourado. Fez o hospital, iniciou as obras da Escola, entre outras realizações.
Deixou bastante saudades. Eu tinha nove anos quando ele morreu. Ainda me lembro, entre outras passagens, dele chegando com o seu Charger na entrada da nossa casa na Av Indianópolis, ouvindo suas fitas K-7 de tangos e boleros. Anos mais tarde tive a oportunidade de ouvir as mesmas fitas no meu próprio Charger R/T, mas isso conto depois. O Charger R/T do meu avô, o carro que definitivamente marcou a minha infância e a do meu irmão Otaviano, foi a grande aquisição para a nossa garagem.
Casa dos meus avós, com a fábrica ao fundo. dez/73
Eu com os amigos do meu pai, centro de Dourado
Essa casa ainda existe.
Estrada para Dourado. Ao volante da F100, meu avô.
Meu avô e seu cigarro de palha.
Minha avó, eu e o meu irmão
Tudo começou em outubro de 1973, quando ele tentou comprar um Ford LTD ou um Landau, e ficou irritado com o atendimento da concessionária, mesmo o genro trabalhando na Ford. Na época, um antigo sócio dele possuia um Dodge Dart branco e ele gostou do carro. Não sei detalhes, mas conta minha mãe que ele resolveu então ir à Ibirapuera Veículos, a meca das concessionárias Dodge na década de 1970. A Ibirapuera ficou imortalizada no filme "Roberto Carlos a 300 km/h", juntamente com os Chargers R/T 1971.
Ao chegarem lá, perguntou ao meu pai qual era o melhor daqueles que estavam na revenda, que respondeu: “É aquele vermelho. O Charger R/T.” Compraram o carro, pago a vista, e seguiram para Dourado. Claro que o vendedor desconfiou da capacidade de pagamento daquele homem de aparência tão simplória. Como um sujeito mal vestido daqueles poderia ter dinheiro para pagar aquilo tudo por um carro? Meu avô “gentilmente” ensinou-o a não julgar as pessoas pela aparência. Coitado do vendedor.
Naquele tempo em Dourado demorava para chegarem as placas e o carro seguiu viagem sem elas. O carro era da recém lançada linha 1974, para muitos um dos Chargers mais sem graça, devido às faixas discretas demais. discordo.
Na cor vermelho índio, fazia muito sucesso, era (e foi) o único Charger da cidade, pelo menos na época dele. Minha mãe conta do momento que carro despontou no portão de grades da nossa casa em Dourado, após quatro horas de estrada! Vermelho, brilhante e sem placas. Meu avô não era do tipo que avisava ou consultava alguém antes de comprar algo, então todos foram pegos de surpresa. O alvoroço foi geral, segunda ela, pouquíssimas vezes ele ficou tão feliz em comprar um carro, coisa que ele definitivamente não dava muita importância. Claro que minha avó não gostou. O que um homem de sessenta e dois anos poderia querer com um carro duas portas, esportivo e vermelho ainda por cima! “Nem vi a cor direito, estava escuro quando comprei”, disse a ela.
Na cor vermelho índio, fazia muito sucesso, era (e foi) o único Charger da cidade, pelo menos na época dele. Minha mãe conta do momento que carro despontou no portão de grades da nossa casa em Dourado, após quatro horas de estrada! Vermelho, brilhante e sem placas. Meu avô não era do tipo que avisava ou consultava alguém antes de comprar algo, então todos foram pegos de surpresa. O alvoroço foi geral, segunda ela, pouquíssimas vezes ele ficou tão feliz em comprar um carro, coisa que ele definitivamente não dava muita importância. Claro que minha avó não gostou. O que um homem de sessenta e dois anos poderia querer com um carro duas portas, esportivo e vermelho ainda por cima! “Nem vi a cor direito, estava escuro quando comprei”, disse a ela.
Ele sempre se referia ao carro como o “R/T”. “Pegue o R/T e vá comprar pão”, pedia para minha mãe. Numa ocasião, na época da crise do petróleo, minha mãe pediu ao meu pai que fossem dar uma volta na ainda elegante rua Augusta, claro que de Charger. Este, por sua vez, respondeu que era um absurdo numa época de racionamento ficar passeando naquele carro tão gastão, pegava mal. Meu avô, sentado à mesa, jogando “paciência”, ouviu a conversa, olhou sobre os óculos e falou: “É para usar o carro e gastar gasolina! Eu trabalho é para isso mesmo e ninguém tem nada com isso!”.
Neste carro viajei dos dois aos seis anos. Ainda consigo me lembrar do couro grosso dos bancos, já trincados com pouco uso, do toca fitas Mecca e das viajens longas para Dourado. Eu e meu irmão Otaviano nos perdíamos na imensidão do banco de trás do carro. Hoje mal cabemos nos bancos da frente. O carro era a sensação! Conta minha mãe que os 300 Km até Dourado eram percorridos com muito conforto e estilo, sem nenhum carro crescer no retrovisor.
Nota fiscal do R/T.
Minha mãe e o Charger zero
Meu aniversário de dois anos. dez/73
viajem no carro nacional mais bonito!
Estrada para Dourado, começo de 1974
Meu avô ficou com este R/T até novembro de 1978. Minha avó falecera alguns meses antes, fato que o abalou muito. Uma das maneiras de se alegrar ou de atenuar a perda foi trocar o carro. Não sei quem deu a ele um catálogo da linha 1979, mas ele se encantou com o recém lançado Magnum e resolveu que seria o seu próximo Dodge.
Nunca encontrei esse R/T. Tenho o número do chassis dele, mas aparentemente não foi licenciado no sistema de placas cinzas. Procuro este carro até hoje, sempre que aparece um R/T do ano pergunto ao dono o seu Serial Number. Quem sabe não aparece? Mesmo com a destruição dos Dodges nos anos 80, quem sabe não está escondido em alguma garagem por ai?
Em 2009 apareci de surpresa na casa dos meus pais com um carro idêntico. Esse carro pertence ao meu amigo Marcelo e na época ficava sob os cuidados do Carlão. Ambos são amigos que conheci através do hobby de colecionar carros. Aliás, fiz muitos bons amigos através do antigomobilismo. A emoção foi grande para os dois, principalmente para minha mãe.
Tenho poucas fotos do original, mas essa visita inesperada está registrada em várias fotos. Agradeço muito ao Carlão por essa gentileza.
Minha mãe, emocionada ao reencontrar o carro, 30 anos depois.
Na garagem que guardou os Dodges nos anos 70.
Meus pais e o Charger índio.
Nos anos 70 eu ainda não tinha altura para ver o carro deste ângulo.
Meu pai admirando o carro que ele dirigiu zero.
Eu, manobrando o carro. Em frente ao IMI, ponto de encontro de Dodges e Galaxies.
Abraços!
Vital
Assinar:
Postagens (Atom)





















































