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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pode vir quente que eu já estou fervendo.

Carro antigo é um exercício de paciência e de dedicação, inclusive financeira. Não sou entendedor de mecânica, mas o óbvio eu sei: Tudo tem seu tempo de vida.

Por isso, desde que comprei o Charger R/T, aprendi uma lição básica: troque as peças de desgaste! Ou seja: velas, cabos, rotores, carvões de motores de arranque e de alternadores... Mas principalmente bombas!

Quando comprei meus dois últimos Dodge, foram trocadas todas as bombas (exceto no Magnum, que já tinha sido trocada), juntas, cabos.... Do Dart troquei na retifica do motor. Faça isso e seu grau de irritações futuras diminuirá.

Bom, já fazia um tempo que a água do radiador da Belina borbulhava. Válvula termostática nova, tampa de metal nova, e nada de resolver. Resultado ontem: o carro esquentou demais durante as fotos e não pegou mais. O vai e vem para as fotos, a pouca ventilação sem o carro andar, não deu outra.

De posse de um pano molhado, meu pai resfriou a bomba e o carro se arrastou até o mecânico que abria  ontem. Bomba d'água ruim, bomba de álcool ruim. Tudo está sendo trocado, de quebra ainda as buchas do trambulador, que estavam péssimas.

Sempre avisei meu pai que precisávamos substituir a bomba d'água. E a de álcool também. Teimosias a parte, infelizmente eu estava certo. Ainda bem que não empenou o cabeçote.

Agora, só tomando um café bem quente para relaxar. Na xícara apropriada.

Saudações calorosas!

Vital




 O vai e vem, pouca ventilação.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Feliz 2012, hora de arrumar a casa. gavetas... garagens... Corcel 1971 vermelho Calipso...

Em dezembro completei 40 anos, o engraçado é como passa relativamente rápido, afinal lembro dos aniversários equivalentes tanto do meu pai quanto da minha mãe. Tiramos umas férias, fomos a Pernambuco e chegamos só no dia dois do novo ano.

Logo pela manhã de segunda feira fui ligar o meu R/T, que não pegou, deve ser ressaca. Peguei uma garrafa de Coca Cola e fui ao posto, comprar gasolina para colocar diretamente no carburador. Isto feito, o carro pegou e levei para o Mário dar uma conferida nas velas, dfv, ... Enfim, carbonização nas velas. Já limpas, carro montado, tudo voltou ao normal. Nas fotos, o carro no estacionamento do Snooker do sócio do Mário. Isso mesmo, a oficina fica em frente a um salão de Snooker.





Em seguida foi a Belina. O Mário trocou os rolamentos dianteiros e umas buchas de suspensão. E o carro ficou até gostoso de andar, com seu jogo de P400 zero, adquirido na semana retrasada. Um amigo leitor indicou um vendedor no Mercado Livre e comprei a placa GL que falta na traseira. O zelador do prédio se interessou pelo carro, mas torceu o nariz quando pedi dez mil Reais. Em fevereiro vou fazer uns ajustes nela, trocar lâminas de parachoque, acertar uns detalhes.... A venda vai ficando cada vez mais difícil.


Quem tem filho sabe a quantidade de coisas que acumulamos, o que já tornava o apartamento inabitável. Brinquedos, roupas, mais brinquedos... Resultado: eu e minha mulher ficamos até as 11 horas da noite separando coisas para doar (as em bom estado) e para reciclar (brinquedos destruídos).

O resultado foi uma Belina lotada de coisas para doação.



Achei uma excelente utilidade para o carro! Depois de esvaziar o meu apartamento, fui até a casa dos meus pais e esvaziei o quartinho dos fundos. Um arquivo de aço cheio de materiais do meu curso de engenharia na Poli, primeira metade dos anos noventa. Foi um grande ato de desapego, guardava cada apostila, cada nota de aula. Nunca abri nada em quinze anos, já que optei por virar bancário.

Joguei inclusive o arquivo de aço fora, com seus trinta anos e muita ferrugem. Aproveitei para organizar meu estoque de peças de Dodge e já levar algumas para a oficina, já que o carro está quase pronto para montagem. Separei também todos os frisos ainda não restaurados (dos vidros, caixas de rodas, de ar, etc...) e levamos ao Juruna, de Accord, já que a Belina não seria adequada para levar o Enzo, filho do meu amigo Carlão. Não tem assento infantil.

No final das contas fiz uma bela limpeza, tanto na minha casa como na dos meus pais. E o mecânico ainda ganhou uma Caloi 10 ano 1982 do meu pai, já que ele se aposentou do ciclismo. Joguei um tanque de plástico, utilizado para guardar gasolina nos tempos de crise do petróleo. Estava muito velho. Outro achado (guardei) foi uma garrafa de soda Antárctica, daquelas antigas.

No final de tudo, meu pai me diz que iria jogar um pacote de papéis velhos. Não deixei, pedi para olhar antes.

Achei coisas interessantes, tudo do ano de 1971 e 1972. Contracheques da Ford, material de imposto de renda, a nota fiscal do Corcel coupé 1971 vermelho, e o mais bizarro: o recibo do meu parto !!!!!


Um dos recibos de salário. Dei um para o Carlão, e segundo ele, já está no porta luvas do seu lindo 500 1967.



Isso mesmo! A nota de serviços do hospital de Dourado. Nunca soube da existência destas coisas! Só não tem o número de chassi!!!! Guardei tudo. Abaixo, o recibo do médico. Foi o médico da família até o final de sua estadia em Dourado. Dr Benetti, saudades dele.



Ontem jantei com o Badolato, Carlão e Pier, e levei essas tralhas para todos verem, e a nota do parto virou motivo de piada! Todo o pacote era para a declaração do IR de meu pai.



Acabei achando um postal também, com o endereço do meu pai. Na Ford.


E, finalmente, a nota do Corcel:





No final, tudo ficou bem mais organizado. E mais leve!

Abraços a todos os amigos, um excelente 2012 para todos nós!

No próximo Post, a funilaria do Magnum 79. Tomei coragem....

Vital

domingo, 11 de dezembro de 2011

A (provável) última viagem da Belina 84 GL

A maior sorte que um garoto pode ter é chegar aos 40 anos e ainda ter seu pai com saúde. Eu tenho essa sorte. Meu pai foi o cara que sempre me impulsionou para frente. Andou de Fusca a vida todas mas sempre pagou as melhores escolas para seus filhos. Privou-se de quase tudo. Não viajou, não conheceu lugares, não teve bons carros e nunca se deu nenhum luxo.

Mas, todos os dias, acordava a mim e ao meu irmão, nos dava café da manhã e depois nos levava para o Augusto Laranja, colégio de classe média alta daqui de São Paulo. Nunca precisei pegar um ônibus para ir à escola, mesmo quando aluno da Politécnica, homem feito. Lá estava ele, com seu incansável Fusca, a me esperar no final da aula da 18:30, até me dar meu Gol 90, já comentado aqui no blog.

O ano 2000 foi um ano muito difícil para minha família. Lembro que meu pai levava conhecidos com seu Fusca e ganhava algum dinheiro, uma situação muito ruim mesmo. Eu estava no começo de carreira, ganhava pouco, e meu irmão sobrevivia nos últimos suspiros da fábrica. Em umas destas o carro foi roubado, o que causou uma grande tristeza. O VW já estava em péssimo estado, 400 mil km, muita ferrugem. Mas era o carro do meu pai.

Alguns meses depois, chego em casa do trabalho e abro a porta da garagem. Uma cena indescritível. Traseira arreada, faróis quebrados e cheios de terra, sem cor e com um enorme podre no para-lama direito. Vazamentos... Lá estava ela. Meu pai logo disse:"Seu tio me deu.".

Lembro-me muito bem do lançamento deste carro, em 1977. Eu tinha 6 anos e meu pai trouxe um Corcel branco da frota da Ford, ainda pré produção. Claro que chamava muito a atenção. O carro era lindo. Mas o motor.... Aqule 1,4l era muito fraco para um carro tão grande. A primeira perua veio para casa logo em seguida, uma vermelha básica. Era a sensação na vizinhança.

A chegada deste velho carro foi uma grande diversão. Com muitas prestações no mecânico e no pintor, levantamos o carro. Foram tantas coisas feitas nestes doze anos que praticamente o carro ficou novo, dentro do possível. O carro foi comprado diretamente na Ford quando meu tio e meu pai trabalhavam lá, ou seja, conhecida desde nova. Ainda tem seus manuais intactos.

Não é um carro empolgante, é pouco colecionável, e nem é tão bonito. Mas nos serviu bastante, foram 47 mil km rodados desde que ela chegou.

Enfim, chegou o momento de encostá-la. Na semana passada ela não pegava. O mecânico arrumou mas ficou péssima. Quinze dias no Mário, um excelente conhecedor de carburadores, e ela saiu como nova. Um  Weber novo, tampa de distribuidor, rotor, alternador revisado e pronto. E, claro, mil Reais a menos no bolso. A suspensão fiz o ano passado, tudo novo e original. Radiador novo.

A parte legal é conseguir retribuir. Ontem, depois de muita avaliação com minha esposa, resolvi dar um carro de presente para meu pai. Ou melhor, devolver um pouco do que ele fez por mim.

Escolhi o carro, comprei, e depois, sem contar nada, levei-o para conhecer seu futuro carro, e foi muito bacana. Ele ainda não acredita que vai ter um carro 0 km depois de 32 anos. E um carrinho bem legal! O modelo de entrada do Clio tem mais acessórios, potência e conforto que o Corcel GL 84.

E hoje cedo fizemos a provável última viagem da Belina conosco, pois ela será posta a venda. E como ficou boa! Incrivelmente ágil, estável e econômica. Mas a decisão está tomada e é uma questão de tempo para ela ir embora. Claro que não tenho pressa, e isso pode levar mais 10 anos.

Seguem umas fotos.



 Meu pai, e seu novo carro. Depois de 32 anos.

O R/T queimando pódium na garagem, já que não saiu para passear.
Uma série de fotos da belina.


Ela é GL. Mas quem disse que eu encontro o logotipo....
Adesivo da Poli, tempos do mestrado, ano 2000.
Interior monocromático original.

117 mil km originais.








Cofre ainda com adesivos Motorcraft.


Besteira feita no passado. Retirar o Philco FM e colocar um CD.



Tem seu charme dos 80's.