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domingo, 27 de março de 2011

Décio F. Vasconcellos

Ou simplesmente dfv.


Ainda hoje visitei minha mãe, que me contou um pouco da história deste homem. A casa da família Vasconcellos era a penúltima casa do quarteirão em que fica até hoje a casa da minha família, na Avenida Indianópolis, Planalto Paulista. Minha mãe pouco se lembra. O Décio era um sujeito rico, casado com uma bela mulher, e parece que não teve filhos. A casa onde meus pais moram é da minha família desde 1956, e foi comprada por acaso. Na verdade meu avô comprara uma casa similar na rua de trás, mas por algum engano ou problema de documentação acabou ficando com a casa da avenida.

Nesta casa morei desde que nasci, e ela está ainda como era em 1956, exceto pelo banheiro e pela cozinha, reformados nos anos 80 e 70 respectivamente. E pela cor. Sempre foi branca com janelas verdes, atualmente é bege com janelas marinho. Lá vivem meus pais e todas as lembranças da minha infância e adolescência. Crescemos ali, eu e meu irmão. No corredor comprido ficaram estacionados todos os carros que já citei no blog e todos que não citei. Lá corríamos, andávamos de bicicleta, brincávamos com os matchbox no quintal, na época imenso para nós dois.

O bairro era tranquilo nos anos 70. Depois, a exploração imobiliária e a prostituição foram degradando os cruzamentos tranqüilos. O Planalto Paulista é um bairro de classe média, com lindas casas, construídas entre os anos 50 e 70. Lembro de ver muitos Dodges parados, nas garagens amplas, e nas ruas calmas e arborizadas. Eu e meu irmão costumávamos a andar de bicicleta com a molecada da rua de trás, a Irerê. Poucas famílias ainda residem na avenida atualmente.



Frente da casa dos meus pais em 2006. Assinada pelo Dodge.
Minha mãe, conversando com a vizinha. Os muros eram baixos. 1976.

Meu irmão e eu, ao fundo. Nosso mundo: o quintal.

 Páscoa de 1975. Fazer o quê... 
 Vestido de coelho, com meu irmão e a Rebecca
Eu e meu irmão com minha mãe, no quarto que dividimos até 2002.
 Eu, bem antes da reforma do banheiro. 1975.
 Meu irmão. Hoje a banheira teria que caber 200 litros.
 Meu primeiro veículo. Nunca vou fazer isso com meus filhos, rsss....
Tempos atuais.

Lembro-me que havia um prédio muito branco e muito bem cuidado. Passávamos a pé em frente, quando meu pai nos levava para comprar revistas ou figurinhas na banca de jornal, ou simplesmente caminhar. Tinha um observatório no seu telhado, um telescópio! Faxineiras limpando o chão, jardim impecável, portões sempre muito bem pintados de cinza prata.  Eu era criança e não tinha a mínima idéia do que era fabricado ali. Quando perguntava, meu pai respondia que era uma fábrica de instrumentos ópticos. Binóculos, lunetas e coisas do gênero. Um amigo do Chrysler Clube do Brasil, que residia na infância exatamente onde fica o prédio que moro hoje, contou-me que a área onde está o prédio da dfv era uma região desabitada nos anos 50, sem iluminação, ideal para observar o céu. Fico imaginando como era, hoje a poluição impede que vejamos muita coisa. Conversando com meu pai, parece que os carburadores foram fabricados aí mesmo, até o ano de 1975 ou 1976, não soube dizer com precisão. Depois passaram a ser feitos em uma planta perto do antigo Café Solúvel.

Pouco sei sobre a vida e o fim da empresa. Até o ano passado ainda havia alguma atividade lá, nada relacionado às origens. Um conhecido, que toma café na mesma padaria que eu, trabalhou lá por mais de 40 anos. Não tem mais nada no prédio. O IPTU do lugar deve ser uma fortuna, já que o prédio ocupa o quarteirão inteiro.

Fazia tempo que eu planejava tirar umas fotos de lá. Não ficaram tão boas, pois a avenida é muito movimentada e eu estava sem tempo para caprichar mais. Mas seguem. Acho pouco provável que o prédio continue lá por muito tempo. E nunca vi registros sobre ele. Pelo menos não encontrei.

 Vista de frente. As árvores cresceram e encobriram a bela fachada.
O observatório. Essa porcaria francesa saiu na foto.
 A entrada principal. Muito depredada.
Entrada lateral. De dentro do Charger.

 Outra vista.

 O carro em frente à fábrica do seu carburador.
 Essa entrada era impecável nos 70s.
Vista da frente.
 Vista da frente. Se não fosse o estado do prédio, diria que é 1976.
 Vista do observatório.

Mais uma do observatório.

 Se pudesse, teria uma casa com esses portões. E montaria uma filial do Museu Dodge no prédio, rsss...

Abraços!

Luis Vital





terça-feira, 22 de março de 2011

Acho que o extintor está vencido...

Hoje cheguei em casa, encontrei minha vizinha com seus filhos, cujo marido estaciona o carro na frente do Magnum. Perguntei se estavam bem, tenho excelentes vizinhos, e fico sabendo que ele só voltaria as 23h. Pensei: vou sair de Magnum, vaga livre! Toda oportunidade deve ser aproveitada, não só pelo prazer proporcionado, mas também para ir vendo os pontos de melhoria no acerto mecânico do carro.

Uma coisa é fato: consigo ter este monte de carros graças aos meus vizinhos, que alugam suas vagas para mim. As vezes o dinheiro do aluguel não pagaria o incômodo de ter um carro tão grande atrás. O bom relacionamento com eles me ajuda na manutenção da minha coleção. As vezes estou mexendo no carro, e as crianças de várias idades pedem para entrar nele e ficam perguntando coisas sobre a história dele. Os pais comentam que também andaram em Dodges na infância. Ou dos próprios pais, ou de um tio... Surgem histórias e amigos.

Voltando ao carro. Estranhamente, demorou a pegar. A carburação ainda requer ajustes. Mas pegou, e lá fomos nós dois pela noite paulistana. Resolvi comprar um extintor de incêndio, já que o dele está vencido há mais de .... 28 anos. Isso mesmo! Claro que guardei o cilindro junto com as outras tralhas que tenho no depósito do prédio. Venceu em 1983 !!! Eu estava na 5a série, rsss.... E sou engenheiro formado há 15 anos. Só sei que esse tempo voou. Por isso vale a pena aproveitar bem todas as fases da vida.

Noite bonita, Magnum brilhando. Parei no farol e o engraçado foi que dois moleques que iam atravessar a rua pararam e esperaram o farol abrir. Só para ver o carro passar. Incrível como os Dodges tem admiradores de todas as idades...

Seguem as fotos.

Abraços!


Venceu em 1983 !!! 


Que belo painel! Pena que o flash anula a bela iluminação interna. O acabamento imitação madeira meio descolado, original!


Vital

segunda-feira, 21 de março de 2011

Surpresa bacana!

Quando era criança, lembro-me de ter ido a concessionárias, seja por que havia algum lançamento, ou seja porque minha família estava comprando um carro novo. Esses eventos que hoje quase não têm importância alguma, na infância eram verdadeiros programas, para mim e para meu irmão!

Em 1975 minha mãe comprou uma Alfa Romeo 2300, em uma concessionária chamada Duetto. Eu tinha três anos, mas ainda me lembro ( e tenho fotos !) das diversas camisetas com o logo da marca e da concessionária. Era muito melhor do que qualquer programa! Em 1978 acompanhei meus pais e meu avô na compra do Magnum, na Janda, fato já relatado aqui no blog. Em 1976 fomos todos num domingo conhecer um novo lançamento. Da marca que dizia que "é uma questão de tempo". O Fiat 147. Meu avô tentou entrar no carrinho e não conseguiu. Um primo dele havia comprado um. Com seus quase dois metros de altura não dava mesmo para entrar. Ainda bem que ele não conseguiu... Não vou ter que contar nenhuma história de 147 (Nada contra o carro. Mas os primeiros tinham muitos problemas de qualidade e de projeto. Tive muitos carros da montadora italiana, e acho-os muito bons.).


Hoje, não lembro nem do nome da concessionária onde eu comprei meu primeiro carro depois de formado, um Fiat Palio Weekend. As lembranças da infância permanecem porque ficam guardadas no coração, essa é a explicação para lembrarmos tão bem desta época tão boa! A compra de um carro era um evento na família.

Enfim, concessionárias completavam o cenário! Atualmente,  eu sempre procuro material de concessionárias Chrysler, mas é raro encontrar. Lembro que até pouco tempo meu pai usava um chaveiro da Ibirapuera veículos (pouco tempo? Mais de vinte anos!), mas se perdeu.

A Ibirapuera Veículos merece um destaque especial. O Charger 74 do meu avô foi comprado lá. O Filme "Roberto Carlos a 300 km/h" foi filmado nas suas dependências, imortalizando-a. A Cidade Dodge!

Há alguns anos, um amigo me enviou um material promocional da Chrysler, com alguns padrões de cartões de visita, adesivos, e outras coisas. O material foi digitalizado em baixa resolução, o que dificulta a reprodução. Mandei esse material para o meu amigo Gustavo, que já faz algumas reproduções muito boas. Além de ser proprietário de um lindo Dart 1971, quatro portas, e de 3 Polaras.

O maravilhoso Dart 4p do Gustavo.

O mesmo Dart num evento do Chrysler Clube do Brasil.


Chego em casa ontem depois de uma semana bem corrida, e além do sensacional blog do meu amigo Cuti, contando a história de um lindo Magnum, havia mais uma surpresa: um envelope com o nome do meu amigo Gustavo Cabett, contendo reproduções muito bem feitas dos adesivos padrão da Chrysler. Qual a concessionária? Ibirapuera!!!!



Ficou muito bom! O Gustavo faz umas coisas bem legais de época, como por exemplo os adesivos de inspeção final e o da Ibirapuera no porta malas, do início dos 70s.

Já colei os adesivos da Ibirapuera no meu Magnum !!

Essa semana tirarei fotos do prédio abandonado da  antiga DF Vasconcelos,  a dfv. Fica muito perto da casa dos meus pais. 300 metros. Quem não conhece, vai ver que beleza. Tem um observatório no teto, a dfv fabricava também instrumentos ópticos, além de carburadores. O prédio nos anos 70 era impecavelmente branco. Muito limpo e bem cuidado. Aguardem.





Grande abraço!


Vital

segunda-feira, 14 de março de 2011

VW 1300 L Azul - Placas MX-5193 SBC - parte 01

Quando meu pai saiu da Ford, em 1978, foi trabalhar com meu avô, no caso sogro dele. Não compensa tocar mais neste assunto, mas por muito tempo achamos que foi a pior besteira que ele fez. Meu pai é o melhor engenheiro que eu conheço, mas não é o que podemos chamar de um empreendedor. Realmente é um choque. Sair de uma empresa como a Ford, com procedimentos, processos, métodos, departamentos, para cair numa empresa pequena, familiar, com dono, uma verdadeira bagunça. Não preciso falar que tinha tudo para dar errado. e deu. Poucos meses depois meu pai desistiu e resolveu começar tudo de novo.

Não foi fácil para ele. Assim como eu, meu velho era um engenheiro de carreira. Ele entrou na Willys em 1968 e foi subindo degraus. Já citei no post do Corcel o orgulho que sentia de ter um pai engenheiro da Ford. Lá ele aprendeu muito sobre motores, qualidade e processos.

Precisou começar de novo no meio da crise do começo dos anos 80. Como na Ford ele não precisava possuir um carro, pois tinha carro alugado, logo que saiu ele ficou utilizando o Passat, que era da fábrica. Saindo de lá, ficou a pé. Neste momento que entra em cena o protagonista deste post.

Segue uma foto interessante, que acabei de tirar com o iphone e ficou muito ruim. é uma bandeja de prata que meu pai ganhou como homenagem de seus colegas da Ford.

"Ao Engenheiro Euclides da Cunha Vianna Filho. Lembrança dos seus colegas da Ford"

Em seguida o nome de todos eles. Comecei a ler, e lembro ainda de alguns destes nomes do passado. Atrás, uma gozação: "Pelo que nada fez, e por tudo que deveria fazer". Está com data de 14 de abril de 1978. Parece que foi ontem.

Não foi fácil. Depois da saída da Ford, numa época de muita crise no nosso país, meu pai não se realizou mais profissionalmente. Passou pela VW, Keiper Acil e Antenas Truffi, sendo o último o pior de todos. Passamos por fases muito difíceis, vi meu pai ser demitido e ficar desempregado algumas vezes. E nunca, nunca deixei de frequentar escola particular. Lembro dele me levando todas as manhãs, 6:15, para o curso pré-vestibular Anglo Latino, no seu velho Fusca, e depois indo para Cotia trabalhar. Lembro também do choro de felicidade dele quando entrei no curso de engenharia da Escola Politécnica da USP, entre os dez primeiros colocados. Posso ter sucesso profissional, mas rezo para que consiga ser o pai que o meu pai foi para mim e para meu irmão. Esse é o real sucesso que um homem pode ter.

Lembro bem disso, durante muitas vezes todos lamentamos essa decisão. Mas com o tempo aprendemos que a melhor decisão é a que foi tomada. Uma vez escolhido o caminho, siga por ele com toda a garra! Nada de se arrepender. Quem pode dizer se o que não fizemos seria o melhor? O negócio é esquecer. Meu pai ainda se arrepende um pouco. Mas hoje ele é um sujeito tão feliz, saudável, bonachão,  e nos seus 72 anos é ainda muito ativo.

Lembro que, em 2004, fui apresentar um artigo num congresso em Araraquara, na época do mestrado. Ele me acompanhou, e começou a participar dos debates duma maneira que fiquei impressionado. Como ele é bom!


Bom, indo ao que interessa, meu pai foi admitido na Volkswagen do Brasil no final de 1979. Um choque, pois sua cultura fora adquirida numa empresa puramente norte americana, cultura esta bem diferente da Volkswagen, alemã. E acabou comprando um VW 1300 L azul marinho com interior azul. Era um Fusca, e eu detestava Fuscas quando era criança. Esse carrinho me levou na escola desde março de 1980 até os meus primeiros anos de trabalho, já como engenheiro formado.

Continua....

sábado, 12 de março de 2011

Hoje liguei o motor do Magnum!

Essa semana não trabalhei, tirei férias. Aproveitei os dias para resolver aquelas pendências que só se resolvem no horário comercial. Aproveitei e fui buscar as rodas do Magnum na casa de rodas e aproveitei para montar os pneus BF Goodrich Radial T/A. Esse modelo de pneu radial combina muito com os Mopars, não sei o porquê.  Já estão montados, com as letras brancas para fora. Em se tratando de Dodge Magnum isso é uma heresia, já que não combina muito. Mas, como gosto não se discute, e eu gosto das letras brancas, ficaram para fora até eu mudar de idéia.

O engraçado é que eu nem planejava ir até a oficina hoje. É que fui até a padaria e vi um sujeito gigante no balcão, acompanhado do seu filhinho. Só poderia ser o meu grande amigo Carlos. Acabou saindo o assunto do carro e resolvemos ir até a oficina.

Aproveito esse ponto para comentar como fiz muito bons amigos através do antigomobilismo. Tem muita gente legal que gosta das mesmas coisas, e são horas intermináveis de conversa. Abrindo um pequeno parênteses, conheci o Carlos em um encontro de antigos que acontecia no Parque das Bicicletas, no bairro de Moema. Estava lá tranquilo, com meu Dart 73, quando vejo um Dart 74 que parecia ser um carro de uso, voltando de uma longa viagem. Um pouco sujo, empoeirado, apesar da sua integridade e originalidade. Fiquei parado admirando o carro, até as frágeis lanternas plásticas estavam lá. O motor parou de funcionar, e desceu um sujeito imenso, mas também muito simpático. Para resumir a história, ficamos grandes amigos. O carro dele é um coupé 74 Bronze Castanho Brilhante ( nome científico para marrom metálico), com teto de vinil instalado zero km na concessionária Cojuvei, e ele é o terceiro dono. O Carlão é um grande amigo, destes que vão ficar para sempre. Seu maravilhoso Dart está em fase de pintura, mas de portas fechadas. O carro é muito pouco rodado e foi muito bem cuidado, mas já pedia uma nova pintura, que foi cuidadosamente removida. O vinil foi levantado para garantir que não há ferrugens por baixo dele. Se ele concordar, vou postar um capítulo para esse maravilhoso carro! Afinal esse carro já faz parte da minha história também!





Voltando ao Magnum, desde que o comprei em novembro, o carro está na oficina para uma revisão completa da mecânica, suspensão e parte elétrica. Hoje eu liguei o carro pela primeira vez depois de revisado o motor. O meu mecânico é muito caprichoso e gosto muito do trabalho dele.

Amigos, foi uma sensação única. O que difere estes carros dos carros de plástico (não que eu não goste dos de plástico, tenho o meu de uso e não abro mão!) é que basta desmontar, trocar as peças e remontar. Tudo volta a funcionar como novo, dada a simplicidade. Tudo é novo! Poder entrar num Magnum muito original, girar a chave e ele pegar e funcionar muito bem, é uma sensação muito boa! Voltei à infância! O toca fitas original, os bancos impecáveis, enfim, foi muito bacana!


Em breve o carro sairá para um banho de tinta no capô, parte superior dos paralamas, faixa do teto e porta malas, além do bico de fibra. Nas laterais não farei nada, as faixas são ainda de fábrica. E só, o carro estará pronto. O carro do meu avô. Pretendo fazer uma viagem para Dourado, minha cidade natal. 30 anos depois!

O engraçado é que quando liguei o carro, uma bolsa de água acumulada num plástico improvisado no forro do galpão derramou, sobre o Carlão !!!! Água suficiente para deixá-lo encharcado.Vejam a foto dele após o banho forçado. Acho que ele ficou babando ao ver um Dodge funcionando, já que ele é um amante de Galaxies! São os espíritos dos Dodges se revoltando contra esse fordeiro nato, rsss....


Carlão depois do banho, com o Enzo!

forte abraço a todos!

Vital

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dodge Magnum 1979 cinza báltico - C088656

Bom, já contei sobre os Dodges da minha infância. Foram apenas dois, mas que realmente deixaram saudades. Esta ano se completam trinta anos que o Magnum cinza do meu avô foi vendido. Eu tinha nove anos na época e nenhum poder de decisão. Aliás, soube da venda do carro quando ele já havia sido entregue.

Na verdade, com a morte do meu avô a vida dos meus pais mudou muito, principalmente a da minha mãe. Preciso contar um pouco sobre ela para que, quem não a conhece, entenda a situação. Ela não foi criada para assumir negócios ou seguir uma carreira. E também nunca perseguiu isso. Estudou até o final do ginásio e depois se dedicou ( e ainda o faz) ao trabalho voluntário. Casou-se com meu pai no final dos anos  sessenta e pronto. Já estava traçada a sua vida.

Mas as coisas não saíram como o planejado, como sempre! Filha única, com a morte do pai resolveu assumir a empresa. Foi um período muito difícil, como a fábrica ficava no interior e nós morávamos em São Paulo, ficávamos até três meses sem vê-la. Nesse período muito complicado meu pai foi muito firme e cuidou muito bem de mim e do meu irmão.

Com essa confusão toda, juntamente com a crise dos anos 80, quem iria ligar para os carros? O Magnum ficava estacionado meses na garagem, sem funcionar. Apesar de ser o nosso carro mais novo, era também o que consumia mais combustível. E minha mãe não utilizava o carro por tristeza. E o Passat era um carro mais prático, consumia menos combustível e tinha um porta malas gigantesco, onde eram carregadas peças de teares, amostras de tecido, e todo o sortimento de tranqueiras que precisássemos carregar.

Enfim, acabaram por vender o carro. Foi para um comerciante da 25 de Março, tradicional rua de comércio de tecidos, atualmente de todas as tranqueiras possíveis vindas da China também. Esse senhor morreu faz pouco tempo, mas o carro não era mais dele.

Muitos anos se passaram. Minha mãe, com sua persistência e dedicação, até teve sucesso com a tecelagem, que funcionou até o ano 2000. Foram vinte anos a frente do negócio, infelizmente o ramo de tecelagem deixou de ser interessante para as pequenas empresas, por ocasião da abertura do mercado. Enfim, ficam as boas recordações da tecelagem, sempre vou lembrar do cheiro de óleo da caldeira ligada, dos rolos dos teares sendo engomados e do tecido pronto sendo medido e embalado... enfim, já foi.

Em 2009 comprei um Dodge muito bom, e havia tomado a decisão que não compraria mais nenhum. Aliás, tinha assumido o compromisso com minha mulher que não compraria mais carros antigos. Por falta de espaço, pelo gasto de dinheiro que representa um carro antigo, e até por falta de tempo para usar, já que é um hobby que exige dedicação de tempo, além da monetária. Até havia cogitado a venda do Dart. Mas Dodge só se compra, não se vende, e desisti de vender o Dart. Vale citar que o Dart ficou três anos em um longo processo de hibernação, pois meu funileiro e grande amigo José não se animava em começar o trabalho. Hoje a restauração está correndo bem, deve levar mais um ano para o carro voltar a andar.

Desde que entrei no "ramo", adquiri um hábito ou vício, dependendo do ponto de vista. Sempre entro no site Mercado Livre para procurar carros e peças. Já comprei muita coisa neste site e raramente tive problemas. Adoro ver anúncios de carros lá, e sempre aparecem coisas interessantes. Como tudo é caro e eu cumpro minhas promessas, não havia perigo de comprar outro carro.

Sempre que me deparo com um Magnum ou com o Charger faço a tradicional pergunta:

"Amigo, o chassi de seu Dodge é C088324 (se for Magnum) / C059825 (se for r/T 74)?". Claro que até hoje não recebi nenhuma resposta positiva. As vezes fiquei até aliviado, dado o estado do carro anunciado.

Os Magnum originais são difíceis de serem vistos a venda. E quando são, geralmente são brancos ou marrons. Deparei-me nestes anos com alguns carros cinzas de plaqueta, mas nenhum era o procurado. Encontrei carros até num preço convidativo, mas a restauração me desanimava, não só pela funilaria, mas também pela falta de detalhes. Magnum sem calotas e sem bancos originais acabam por perder muito do brilho do modelo. O mais perto que cheguei foi num carro de um amigo comerciante de Dodges, bem conhecido. Mas promessa era promessa e não fui em frente. Era um carro bom para restauração, mas eu já tinha um grande problema para resolver, a reforma do meu Dart. Uma restauração é sempre uma incógnita quanto ao custo. E eu não poderia encarar mais uma, mesmo com o preço do carro sendo muito bom. Para tornar mais interessante, o carro das fotos abaixo é do milhar 88, menos de 350 carros de distância do procurado. Enfim, não era para ser.




No final do ano passado aconteceu uma verdadeira enxurrada de Magnum cinza no Mercado Livre. Dois em Porto Alegre, um no Mato Grosso, além de outros bem descaracterizados. Os carros eram muito bons, exceto o último, para restauração total.

Fiz a tradicional pergunta, sem sucesso. Fiquei até aliviado, nenhum deles era muito barato e eu não poderia gastar dinheiro naquele momento. Comentei sobre os carros com um amigo ou outro, e por fim esqueci o assunto.

Alguns dias depois, recebo um email do meu amigo Alexandre. "Se mexe, o carro é muito bom e o preço também". Acabei ligando para o dono em POA, o carro parecia ser muito bom. E para colocar mais lenha na fogueira, contou-me que o carro é do milhar 88, apenas 320 carros de distância do procurado. Ou seja, conviveram no pátio da CDB, provavelmente.

Comentei com minha mulher, que achou loucura e fui obrigado a concordar com ela. Minha mulher é fantástica, e apesar de não gostar de carros, entende a minha paixão. Fiquei pensativo, um pouco quieto, após falar com o dono do carro. Fiquei muito interessado, mas não iria comprar. Ela, com sua grande sensibilidade, percebeu e perguntou se o problema era o carro, o que respondi afirmativamente.

"Se é importante para você, vai lá ver e compre.". Dia seguinte estava em Congonhas, embarcando para POA. Insanidade total. Não conheço a cidade, não conhecia o dono e o bairro era distante do aeroporto. Perguntei para ele se havia um hotelzinho perto, e me surpreendi com o convite: "Fica em casa mesmo, tem espaço.". Muito diferente do que estamos acostumados em SP.

Cheguei em POA a noite. O dono do carro estava me esperando no aeroporto. Fomos conversando, a casa dele fica a 40 km do aeroporto. Ficamos grandes amigos, a família dele é espetacular, fui muito bem recebido e me senti em casa! Assim que chegamos fui ver o carro, e no mesmo segundo falei: "É meu!". Abri minha mala, tirei o adesivo "EMOÇÃO 79" de dentro e colei no carro. O Badolato me deu este adesivo uns anos antes. Guardei, precisava apenas do carro para colar!

No dia seguinte andei com o carro, que naturalmente precisava de uma boa revisão. O dono estava investindo pesado na reforma de um outro Dodge e resolveu vender o Magnum, do qual já era proprietário desde 2000. Tudo resolvido, carro pago, recibo na carteira, vamos embarcar o carro! Chegando na transportadora, descobrimos que seria necessária uma nota fiscal com o carimbo de um orgão estadual (esqueci o nome...) liberando a saída do estado. Foi uma loucura. Corremos feito loucos, a tal repartição fechava as 17h e a transportadora fechava as 18h. Na volta, fomos pelo porto. Só dodge proporciona estas loucuras.

Carro embarcado, peguei o vôo para casa. Dois dias depois o Magnum desembarcou na oficina. Está sendo totalmente revisado. O desmonte revelou ser um carro muito original ainda. As faixas laterais são ainda as de fábrica, o que reforça a decisão de nunca pintar o carro inteiro. Serão feitos apenas alguns retoques.

Finalmente eu teria um Magnum. A emoção da minha mãe ao ver o carro foi algo ímpar. Hoje, como estou em férias, vou levar a bateria nova, as rodas recém reformadas e os pneus novos para a oficina. Saindo de lá, irá para a funilaria. Eu e meu mecânico retiramos o porta malas e mandamos reproduzir a tinta. Vale lembrar que ele tem um gêmeo do meu carro! O carro não será restaurado, apenas retocarei onde for necessário. Será o mais original possível.









abraços

Vital

domingo, 6 de março de 2011

Dodges e outras histórias

Seguindo a iniciativa de alguns dos meus amigos, resolvi criar meu próprio blog, para deixar registradas algumas passagens e alguns fatos relacionados aos carros que eu gosto e o contexto nos quais eles estão inseridos. Faço para que meus filhos, amigos, parentes, possam em algum momento ler e entender um pouco sobre essa paixão e o que está por trás de cada um destes carros.

Na verdade os carros são apenas marcadores de página do livro da minha vida e da minha família. Em cada capítulo ou página há  uma história para contar, passagens boas, ruins, marcantes, sempre tendo as máquinas como protagonistas ou como coadjuvantes.

O que fica são as boas lembranças e os bons tempos, e nada como um espaço virtual para deixa-los disponíveis para quem se interessar em ler. Afinal de contas, "o que se leva desta vida é a vida que se leva".

abraços!

Vital