Todos que leram o blog desde o início sabem que meu pai foi engenheiro da Ford. Logo, é natural que eu tenha crescido no meio destes lindos carros. Lembro-me com clareza de um Landau 73 ou 74 que meu tio (que trabalhava lá também) utilizava. Adorava os carros da linha Galaxie LTD e Landau destes anos, aquela lanterna trapezoidal é uma tremenda obra de estilo, única mesmo. Deu uma grande sobre vida ao modelo, já bem defasado em relação à matriz norte americana.
propaganda do 83 - último ano da série
Eram carros silenciosos, imponentes, e que diferenciavam quem os possuíam dos demais mortais. Em 1973 meu avô tentou comprar um, mas foi mal tratado pelo revendedor Ford. Depois de mandar a vendedora para aquele lugar, ele resolveu comprar o Dodge. Engraçado como é o mundo. Por um ato de poucos minutos meu avô muda o carro que iria comprar e trinta e cinco anos depois eu tenho Dodges por causa disso.
Depois da viagem no 500 do Carlão, coloquei na cabeça que teria um carro destes. Já não eram baratos. Um bom carro já custava mais de 25 mil em 2009. Uma bela noite de domingo o Carlão me liga dizendo que um colega dele estava vendendo um Landau 1982. Não muito bom, mas barato.
Fui, de maneira abobada, experimentei e acabei comprando o carro por 9 mil Reais. Fui desatento ao fato do câmbio do carro estar ruim e do carro ter gás. Até que ele não era feio, apesar dos podres de porta costumeiros nos Ford. Depois de 3 meses na oficina do falecido Seu Antônio Martucelli, a situação era:
- suspensão refeita;
- carburador remanufaturado;
- gás retirado;
- bomba de direção trocada;
- velas, bomba de gasolina, filtros,...
- radiador feito;
- etc...
- etc...
Totalizando mais de 6 mil Reais. Fui dar uma volta com o carro, e daí percebi que o câmbio estava ruim para péssimo. Nesse momento, já sem dinheiro, desanimado com o carro, encostei-o. Resolvi deixar para um futuro distante. Só para mexer no câmbio ia sair uma nota preta, e eu já estava desanimado com o Landau.
Em setembro do mesmo ano comprei o R/T, com a condição de vender todos os outros carros, exceto o Fuscão, do qual minha mulher gosta muito, e o carro é zero. Acabei vendendo o Landau com um bom prejuízo. O dono ainda demorou um ano para retirar o carro do estacionamento e ainda não transferiu o carro para seu nome. Nesse meio tempo roubaram as 4 calotas dele, que eram novinhas. Não sei o que foi feito do carro. Se tivesse continuado comigo, eu iria arrumar o câmbio e utilizá-lo do jeito que estava, já que a suspensão estava nova. O 302 não era zero, mas estava razoável, falhava um pouco em um cilindro. Provavelmente teria enorme dor de cabeça para fazer passar no Controlar, uma vez que o carro não tem 30 anos e por estar longe de merecer placa preta. Ou, que me perdoem os leitores, desmanchar e vender em partes. Nunca fiz isso e nem sei fazer, mas as vezes dá menos dor de cabeça do que vender o carro e o dono demorar para buscar ou para transferir de nome. O motor poderia ir para um Maverick ou um Cobra. Tem carro que não vale a pena ser reformado. Vai uma fortuna e não fica bom. Fiquei com tanta bronca deste carro que apaguei todas as fotos dele.
Foi um negócio mal feito do começo ao fim. Não pretendo ter mais nenhum Landau. Se um dia aparecer um carro até 75, não digo que não ficarei bem tentado. Adoro os Ford com mecânica 292.
Mas vou resistir bravamente. Quando quiser, dou uma volta no 500 do Carlão e mato a vontade.
abraços!
Vital














