sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ford Landau azul clássico 1982 - parte 2

Essa semana foi complicada, fiquei doente, trabalhei parte das minhas horas de casa mesmo. Essas são as vantagens da tecnologia.

Todos que leram o blog desde o início sabem que meu pai foi engenheiro da Ford. Logo, é natural que eu tenha crescido no meio destes lindos carros. Lembro-me com clareza de um Landau 73 ou 74 que meu tio (que trabalhava lá também) utilizava. Adorava os carros da linha Galaxie LTD e Landau destes anos, aquela lanterna trapezoidal é uma tremenda obra de estilo, única mesmo. Deu uma grande sobre vida ao modelo, já bem defasado em relação à matriz norte americana.


propaganda do 83 - último ano da série


Eram carros silenciosos, imponentes, e que diferenciavam quem os possuíam dos demais mortais. Em 1973 meu avô tentou comprar um, mas foi mal tratado pelo revendedor Ford. Depois de mandar a vendedora para aquele lugar, ele resolveu comprar o Dodge. Engraçado como é o mundo. Por um ato de poucos minutos meu avô muda o carro que iria comprar e trinta e cinco anos depois eu tenho Dodges por causa disso.

Depois da viagem no 500 do Carlão, coloquei na cabeça que teria um carro destes. Já não eram baratos. Um bom carro já custava mais de 25 mil em 2009. Uma bela noite de domingo o Carlão me liga dizendo que um colega dele estava vendendo um Landau 1982. Não muito bom, mas barato.

Fui, de maneira abobada, experimentei e acabei comprando o carro por 9 mil Reais. Fui desatento ao fato do câmbio do carro estar ruim e do carro ter gás. Até que ele não era feio, apesar dos podres de porta costumeiros nos Ford. Depois de 3 meses na oficina do falecido Seu Antônio Martucelli, a situação era:

- suspensão refeita;
- carburador remanufaturado;
- gás retirado;
- bomba de direção trocada;
- velas, bomba de gasolina, filtros,...
- radiador feito;
- etc...
- etc...

Totalizando mais de 6 mil Reais. Fui dar uma volta com o carro, e daí percebi que o câmbio estava ruim para péssimo. Nesse momento, já sem dinheiro, desanimado com o carro, encostei-o. Resolvi deixar para um futuro distante. Só para mexer no câmbio ia sair uma nota preta, e eu já estava desanimado com o Landau.

Em setembro do mesmo ano comprei o R/T, com a condição de vender todos os outros carros, exceto o Fuscão, do qual minha mulher gosta muito, e o carro é zero. Acabei vendendo o Landau com um bom prejuízo. O dono ainda demorou um ano para retirar o carro do estacionamento e ainda não transferiu o carro para seu nome. Nesse meio tempo roubaram as 4 calotas dele, que eram novinhas. Não sei o que foi feito do carro. Se tivesse continuado comigo, eu iria arrumar o câmbio e utilizá-lo do jeito que estava, já que a suspensão estava nova. O 302 não era zero, mas estava razoável, falhava um pouco em um cilindro. Provavelmente teria enorme dor de cabeça para fazer passar no Controlar, uma vez que o carro não tem 30 anos e por estar longe de merecer placa preta. Ou, que me perdoem os leitores, desmanchar e vender em partes. Nunca fiz isso e nem sei fazer, mas as vezes dá menos dor de cabeça do que vender o carro e o dono demorar para buscar ou para transferir de nome. O motor poderia ir para um Maverick ou um Cobra. Tem carro que não vale a pena ser reformado. Vai uma fortuna e não fica bom. Fiquei com tanta bronca deste carro que apaguei todas as fotos dele.

Foi um negócio mal feito do começo ao fim. Não pretendo ter mais nenhum Landau. Se um dia aparecer um carro até 75, não digo que não ficarei bem tentado. Adoro os Ford com mecânica 292.

Mas vou resistir bravamente. Quando quiser, dou uma volta no 500 do Carlão e mato a vontade.

abraços!

Vital

domingo, 29 de maio de 2011

Aproveitando o dia.

Hoje acordei determinado a andar de Magnum. O carro ficou bom, mas é sempre bom por os carros para rodarem. O pedal da embreagem está rangendo um pouco, fica na lista de pendências para resolver. Ar condicionado gelando, desde que comprei o carro essa foi a primeira vez.

É incrível como a linha 79 é mais macia e responde diferente aos modelos anteriores. Meu 73 é um carro duro, se comparado ao 76. E o 79 é o mais confortável de todos.

Mandei lavar o carro, seguem umas fotos do passeio de hoje.

abraços!

Vital




sábado, 28 de maio de 2011

Ele voltou!

Depois de quase dois meses na Laranja Mecânica, o Magnum voltou para casa. E está muito bom de andar!

Recebeu bomba de gasolina nova, molas traseiras calibradas, aperto geral na suspensão e alguns acertos menores, como tirar barulhos de acabamento e trocar as buzinas. Infelizmente coloquei buzinas modernas escondidas, não quis comprar buzinas velhas a preço de ouro para substituir as originais, que permaneceram no lugar.

Provavelmente será com ele que irei ao Mopar Nats deste ano. Cada vez mais estou decidido que não pintarei este carro, uma vez que, apesar de gasto e com pontos de ferrugem na caixa, o carro é todo original.



Segue uma foto dele hoje, fazendo pose para o ir ao Mopar em agosto. Só errei o lado da inclinação, kkkk! Hoje descobri que a foto é de um Le Baron que é ou foi do Badola.

abraços!

Vital

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ford Landau azul clássico 1982 - parte 1

Eu já falei aqui no blog sobre o meu amigo Carlos Angi, o Carlão. Ele possui o Galaxie 500 mais zero que eu já vi ou que talvez exista. O carro nunca foi restaurado ou sequer pintado. Ostenta detalhes únicos como o adesivo no vigia: "Ford Galaxie: feito no Brasil por Brasileiros", adesivos no para brisas e o logotipo do revendedor Ford. O carro é muito original, na cor branca com o interior vermelho. Tudo 1967. A única coisa que não pertence ao carro é o motor 292, doado por um caminhão Ford. O seu 272 aguarda retífica. Mas tudo foi feito e dado acabamento tal qual o original.

O post não é apenas para falar deste carro magnífico, mas para contar um negócio totalmente feito na emoção e do qual me arrependo muito. A compra do Ford Landau 1982.

Em 2009, o 500 branco recebeu o seu motor 292 retificado. Era uma noite fria de outono, um sábado. O Carlão me liga para irmos testar o carro. O teste foi somente uma viajem de ida e volta para Taubaté. Num carro 1967. O 500 flutuava pelo asfalto liso da rodovia, e dormi no banco de trás um dos melhores sonos da minha vida. como esse carro é confortável e macio! Não faz um barulho sequer, e seus bancos convidam ao sono. Fui e voltei de Taubaté num ronco profundo. Só me lembro da parada na Polícia, o guarda queria ver o carro, lógico. Esse carro é sensacional e espero que seja sempre do Carlão. Tive a honra de dirigir e acredito que seja um dos poucos, o Carlão adora esse carro. E tem razão para isso.

Essa viagem colocou na minha cabeça um desejo antigo, o de ter um LTD até 1975, eu adoro os carros com farol trapézio, como são conhecidos os carros de 73 a 75.

Meus problemas começaram por aí. Abaixo, fotos da viagem. O Carlão é essa figura simpática e sorridente. Sem sombra de dúvida um grande amigo. Vejam o exemplar do livro do Badolato, presenteei o Carlão para que ele tivesse uma boa leitura, rsss...

Continua....


O Carlão e seu 500.

Apagamos tudo e tiramos essa foto sem flash.















domingo, 22 de maio de 2011

Passeando de Charger R/T hoje - O aparelho de som dos meus pais

Como faço todos os domingos, passeio com os meus carros. Em especial o ponto alto é andar no meu R/T. Esse carro dispensa comentários de quão bom é dirigi-lo. Pega rápido, silencioso, clássico. Enfim, não tirei fotos do passeio porque não ficariam diferentes daquilo que já postei sobre ele.

Motor quente, pronto para sair do subsolo

Em 1978 meu pai saiu da Ford do Brasil após dez anos fantásticos, e foi trabalhar na empresa do meu avô. Neste ano também morreu minha avó, o que foi um baque para todos, principalmente para o meu avô. Não falerei muito sobre isso neste post, dedicarei um para este fato. O ponto é que minha mãe ganhou de presente estes aparelho de som da foto. Não preciso falar que era algo indescritível em 1978. Tape Deck Akai, receiver, mixer, caixas acútsticas.... Era algo único. Essa foto é do início dos anos noventa, já tinha um toca discos tangencial e um CD player acoplados.

Minha querida mãe, início dos 90. O aparelho de som, já com 14 ou 15 anos

Eu adoro essa aparelhagem, faz anos que ela não funciona, mas está lá, igual está na foto. O que me chama a atenção é como tudo hoje é descartável. E compacto. Esse móvel foi feito especialmente para acondicionar os módulos. Tudo isso não faz mais o mínimo sentido hoje. Com 300 dólares americanos você compra caixas Boose e acopla um Ipod. Mas sem nenhum charme. E sem 10% da potência. 

Bom, voltando ao passeio, encostei o R/T no posto para calibrar os W-Oval, dada a baixa temperatura, estavam um pouco baixos. Quando vejo uma figura típica do bairro, o "garrafeiro". Ele tem umas três Brasílias podres nas quais carrega tralhas e jornal. Olho para seu carro novo, um Escort (ainda não tão podre), e vejo no banco um logotipo conhecido: AKAI. 

Pergunto se funciona, testo se liga no posto mesmo e pergunto o preço. 100 Reais. No fim ficou por 50. Não sei se funciona, nem se está completo. Mas é um gravador de rolo AKAI, e sempre quis ter um. Guardei-o no R/T e lá continua. Não quis explicar para minha mulher o que é e porque comprei.



 O AKAI de rolo, acondicionado no porta malas do R/T

Os colchões eram dos berços dos meus filhos. Agora protegem a lateral do carro.

Ainda vou restaurar o aparelho de som dos meus pais. Cresci ouvindo música nele. Lembro do meu avô deitado no sofá, ouvindo suas cancionetas napolitanas, seus tangos, provavelmente pensando na sua mulher que partira. Gravei as primeiras fitas Basf Chrome nele. Em 1989 comprei o toca discos. Enfim, tem muito valor sentimental para mim.

Grande abraço a todos, e uma excelente semana!

Vital

O Fiat Tipo 1.6 i.e. preto etna 1995 - Fim da faculdade.

Em 1995, depois de muita ralação, estava no quarto ano da Poli. 1994 havia sido um ano atípico, minha mãe passou por um período difícil de sua vida, um câncer que, graças a Deus, foi curado. O fato é que durante boa parte do ano ela precisou se ausentar da fábrica para fazer o tratamento em São Paulo. Nesta época eu vinha de uma ressaca de terceiro ano de engenharia de eletricidade. Em 1994 eu fazia apenas quatro matérias, pois tinha dividido o terceiro em dois.

Por pura vagabundagem. Não vou dizer que não me arrependo, que não faz diferença, porque faz. Eu poderia ter saído da Poli no final de 1995, mas graças a alguns escorregões, perdi o primeiro ano da minha vida. Hoje com quase 40, não faz tanta diferença. Mas na época senti muito e resolvi tomar jeito.

O fato é que, dada a minha grande janela sem aulas, eu assumi o lugar da minha mãe na empresa, pelo menos operacionalmente falando. Eu tinha faculdade, minha mãe tinha a escola da vida, que é a mais difícil e a que melhor ensina. Enfim, passei o ano de 1994 assistindo aulas de segunda-feira. Acabada a aula, pé na estrada para Dourado. Ficava na tecelagem até sexta-feira. Pegava o Gol branco e voltava para São Paulo. Direto para o curso noturno de japonês que minha mulher fazia na Liberdade. Assistia aula de Mecânica dos Fluidos e de Eletromagnetismo no sábado. E assim passei 1994.

Meu pai sempre foi rígido comigo e claro que o próximo carro era problema meu. Mas minha mãe, muito sensibilizada e com medo de partir (hoje que tenho filhos entendo isso...) pôs na cabeça que queria trocar o meu carro. O velho foi contra, mas a situação era relativamente delicada em casa nesta época. E no ano seguinte, em junho de 1995, ganhei um Fiat Tipo de presente. Zero quilômetro.

 Assinando no livro - Colação de Grau - EPUSP 1996 
 O Tipo, já com algumas modificações
 Casa dos meus pais
 Sempre impecável



Tudo que é feito na emoção e com pouca razão acaba não sendo muito legal. O Tipo era um carro muito bonito e alcançou um certo sucesso, vendendo mais de 145 mil carros entre 1993 e 1997. Mas o seu sucesso literalmente derreteu com a incidência de unidades incendiadas por problemas de fabricação. Hoje este carro está praticamente extinto e os poucos que restam não valem 5 mil Reais. E era um carro muito bom! Espaçoso, completo mesmo nas versões mais básicas, barato e com acabamento razoável.

Fiquei muito pouco tempo com ele. Dois anos exatos. Esse carro me lembra de uma fase difícil dos meus pais, não financeira, mas do relacionamento deles. Foi um período de grande fragilidade familiar.

Como já havia feito com o gol, troquei rodas, cortei molas, etc... O carro era lindo. Quando me formei, em dezembro de 1996, a nossa situação financeira era péssima. Mas tudo vem na hora certa. Sempre gastei o dinheiro dos meus pais durante a faculdade. Na verdade gastava mal. E sempre me toleraram. Quando me formei tive a oportunidade de sair empregado, e com meus primeiros salários pude ajuda-los.  E faço isso até hoje, e com muito orgulho de poder fazê-lo.  Meus pais perderam quase todos os bens materiais, mas sinceramente gosto mais do jeito deles hoje do que quando estávamos bem financeiramente falando. São unidos, comedidos, companheiros. Enfim, como deve ser uma família. Hoje são tranquilos, vivem de aposentadoria e da retribuição minha e do meu irmão. Fiquei muito contente em dar um carro para eles, ano retrasado. São excelentes pais. Quando o Magnum quebrou a noite, em cinco minutos lá estava o velho. Minha mãe religiosamente busca os netos na escola. Amo-os muito, e sou grato pelos valores e pela educação que recebi.


abraços!

Vital

PS: O engraçado é que pesquisando o DPVAT, o carro foi licenciado até 2008 ou 2009. Ou seja, até que durou. Quando vendi ele já tinha quase 70 mil km rodados.

Homenagem aos amigos

Como já escrevi, fiz o blog para minha família e para os meus amigos. Só que foram aparecendo mais leitores, que eu não conhecia antes do blog. Isso é muito legal, surgem novos amigos, todos com a mesma paixão pela marca DODGE.

Se tem dois caras assíduos no blog, estes são o Max e o Edu. Parece que já os conheço bem, de tanto trocarmos emails e pelos posts que eles deixam aqui. Conheço o Edu pessoalmente, encontramos-nos indo ao Mopar 2010.

Tem também o Fabrício, o Cuti, o Buzian... Mas o Edu e o Max eu não conhecia antes do Blog. Seguem umas fotos dos dois figuras e seus belos Darts. O GS já foi assunto de um post aqui. O 74 do Max ainda não. 74? Não é um 71? É um 74 cuidadosamente convertido em 71, e particularmente eu gosto mais assim, se bem que o Max já está com o enxoval pronto para converter em 74. Fica aí uma homenagem do blog aos dois frequentadores e seus lindos carros. O Edu é o de camisa preta, o Max o de azul.

Os demais amigos que quiserem mandar fotos de seus Dodges, sempre bem vindos! Eu as coleciono e posto aqui com prazer.

abraços!

Vital