Não conheci o meu bisavô, Cesario Maluf. Mas minha bisavó faleceu com bastante idade, em 1981. E era muito legal ouvir as histórias da família contadas por ela, com aquele sotaque peculiar dos imigrantes libaneses.
Mas falarei mais sobre a história da minha família em outro post. Neste dedicarei alguns parágrafos para Dourado, minha cidade.
Temos uma relação nostálgica com Dourado. Meu avô foi prefeito duas vezes nesta cidade. Construiu hospital, uma fábrica, escola, e interferiu junto ao governador para acelerar a pavimentação da rodovia. Posso dizer que lá passei os melhores anos da minha infância, nas longas férias com meus avós. A ansiedade para chegar o dia de viajar para Dourado era muito grande. Lembro-me da minha mãe carregando o Alfa Romeo para a viagem, que durava algo em torno de quatro horas na época. Ainda muito criança, lembro-me do odômetro parcial (claro que eu não sabia que esse era o nome daqueles números no velocímetro) marcando a distância percorrida.... a viagem não acabava nunca.
Anos depois meus avós se foram, minha mãe assumiu a fábrica e ficou a frente dos negócios por vinte anos, até que não foi mais possível continuar. Pegamos um certo desgosto pelo lugar. Minha mãe nunca mais sequer voltou lá. E não pretende em vida.
Eu, minha mãe e meu irmão.
Eu, brincando com a água da chuva.
eu com meu pai.
Eu, com minha avó.
Minha mãe em frente a casa. Vejam as marcas dos diagonais na areia.
Eu mesmo fiquei mais de cinco anos sem pisar na cidade. Há pouco tempo fiz as pazes com o lugar. Quando vou, lembro-me do que foi bom e deixo as mágoas para trás.
Uma das minhas metas é pelo menos manter a casa do meu avô, que está a mesma desde 1980. A fábrica já foi desapropriada e eu não pretendo entrar na briga para recuperar, pois o custo é muito alto e a vida é para frente. Nunca para trás. Acreditem, demorei muito para aceitar isso.
Esse post não fala de nenhum carro. Mas todos estes que já citei no blog ficavam estacionados por ali, enquanto eu e meu irmão crescíamos. Essa imagem é que guardo. Meu avô buzinando, entrando com o R/T na garagem. A F-100 parada em frente nossa casa. A Alfa estacionada perto da janela do escritório.
Bom, seguem umas fotos do feriado de 15 de novembro último. A capela tem uma história peculiar, foi construída em homenagem aos mortos que ficavam num pequeno cemitério no terreno da fábrica, no início do século XX. Assustador, não?
abraços a todos.
Hospital construído pelo meu avô. A casa era da minha família. Nasci no mesmo quarto que o meu avô nasceu.
Outra vista.
Essa ambulância tem 25 anos. Quem se habilita?
Capela construída por meu avô, ao lado da nossa casa.
Obra mal feita. A prefeitura desapropriou e está correndo um processo.
A nossa casa, como sempre foi. Basta imaginar os carros estacionados.








